Hilary Bronwyn Gayle/A24
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Filme com Julianne Moore retrata a busca pelo amor depois dos 50

'Gloria Bell', do diretor Sebastián Lelio, apresenta com sutileza os dramas vividos por uma mulher de meia-idade

Julie Bloom, The New York Times

27 de março de 2019 | 06h00

É possível que uma mulher divorciada, com mais de 50 anos, que tem uma queda por vestidos drapeados e por péssimas decisões esteja no centro de sua própria história? A pergunta parece absurda, até levarmos em conta como são poucos os filmes que falam de uma personagem deste tipo.

Isso é exatamente o que fazem as cenas da vida de Gloria Bell, do diretor chileno Sebastián Lelio. Remake do premiado filme Gloria, de 2014, o atual, que está sendo lançado em todo o mundo neste mês, é uma proposta radical para públicos acostumados a ver tais personagens relegados ao segundo plano.

A estrela da nova versão é Julianne Moore, no papel de uma mulher divorciada, engraçada, otimista e com uma série de defeitos, que navega sozinha pelo drama diário da meia idade. Ela mora em um modesto apartamento, trabalha em um emprego tedioso em uma empresa de seguros, canta a plenos pulmões dirigindo seu carro velho e não se importa de sair sozinha para dançar.

Ao seu redor orbitam filhos adultos, interpretados por Michael Cera e Caren Pistorius, suas amigas (Rita Wilson e Alanna Ubach), a mãe (Holland Taylor) e um desastre de namorado (John Turturro).

Lelio, que dirigiu Uma Mulher Fantástica, de 2017, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, disse que queria revisitar Gloria porque a visão da mulher está mudando com o movimento #MeToo. "A história de uma mulher nos Estados Unidos hoje, que reivindica o direito de ser vista, me pareceu novamente urgente". Ainda segundo ele, há algo que comove em voltar a câmera para uma personagem que na maioria dos filmes seria "a mãe, a tia, ou a amiga".

Apenas alguns dos cem melhores filmes americanos do ano passado mostraram mulheres acima de 50 anos nos principais papéis, segundo um estudo da San Diego State University.

Foi a excepcional normalidade de Gloria que atraiu Julianne Moore. "Há mais drama em um único dia da vida de uma pessoa do que em todas estas versões fabricadas com explosões e perseguições de carro", disse. "Quando é que a gente vê uma perseguição de carro de verdade?".

Para a atriz de 58 anos, também foi fundamental mostrar que as mulheres não se tornam menos interessantes ou menos desejáveis à medida que envelhecem. Lelio, 44, expôs toda a extensão da vida de uma mulher em um filme que inclui nudez e indiferença a respeito do sexo. Nele, o diretor segue uma linha sutil entre fazer com que o espectador sinta por Gloria e tente inspirar-se nela.

"O interessante em Gloria é aquela capacidade de recuperação quando você permite que a dor, a vergonha e a dificuldade penetrem lá no fundo e, no entanto, você ainda consegue ir em frente e encontrar uma maneira de ser", observou Julianne.

Lelio explicou que Gloria é uma colagem das mulheres da sua vida: "Eu cresci cercado por mulheres, minha avó, minha mãe. (Minha mãe) foi minha primeira fonte de descobertas do que significa envelhecer para uma mulher, ver a violência deste processo em uma sociedade obcecada pela juventude. Eu sempre ouvia suas histórias, ria com ela, mas não deixo de me dar conta de que este processo é realmente difícil para ela e suas amigas".

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