Amazing Grace Film, LLC
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Filme conta história do álbum 'Amazing Grace', de Aretha Franklin

O disco da cantora norte-americana, de 1972, é o álbum de música gospel mais vendido da história

Natalie Rinn, The New York Times

26 de abril de 2019 | 06h00

No fim de 1971, uma notícia improvável se espalhou pelo Southern California Community Choir, em Los Angeles. Aretha Franklin viria à cidade gravar um álbum gospel ao vivo em janeiro, e 25 membros do coro comunitário iriam acompanhá-la. O grupo era comandado por uma das figuras mais famosas da música gospel da época, o reverendo James Cleveland, mas os cantores eram apenas moradores da cidade que frequentavam o culto.

Mary Hall tinha 22 anos. “O reverendo simplesmente disse, ‘Você estará no ensaio, e você, também’”, contou ela no mês passado. “Não podia acreditar que estava me preparando para cantar com a rainha do soul. Ainda é um dos maiores momentos da minha vida.” Esse momento - duas eletrizantes noites de apresentações ao vivo na Igreja Batista Missionária New Temple - resultou no álbum de Aretha, Amazing Grace, que ainda é o disco de música gospel mais vendido de todos os tempos, incluindo arranjos para clássicos do gospel como “How I Got Over” e “What a Friend We Have in Jesus".

Mas, até recentemente, poucos sabiam que as apresentações também foram filmadas, em imagens que ficaram guardadas durante décadas. Com o lançamento limitado de Amazing Grace, os fãs podem finalmente assistir ao evento. Já em 1971, Aretha, que cresceu como cantora gospel itinerante, tinha se tornado uma das maiores estrelas da música pop, com sucessos como “Respect” e “Think".

Os executivos da gravadora Warner Bros., que tinha comprado a Atlantic Records (a gravadora de Aretha) em 1967, tinham esperança que um filme de Amazing Grace ajudasse a música gospel a alcançar um público maior, como tinha ocorrido com o pop após o festival de música de Woodstock. A Warner contratou o diretor Sydney Pollack para as filmagens.

Os ensaios começaram um mês antes, na Igreja Batista Cornerstone Institutional, em Los Angeles, onde Cleveland, mentor de Aretha na infância, comandava tudo. Aretha, na época com 29 anos, era encarregada da seção rítmica, trazida de avião de Nova York. Cleveland contratou um carismático jovem de 27 anos chamado Alexander Hamilton para dirigir o coro.

As apresentações resultantes foram transcendentais, e o registro de Pollack é um documento visceral, sem mediações, de uma música que transborda de sofrimento e alegria. Suor e lágrimas escorrem pelo rosto de Aretha. Cleveland soluça. Há senhoras convulsionando nos corredores.

Conforme a notícia da presença de Aretha se espalhou, o público modesto da primeira noite inchou e ultrapassou a capacidade da igreja na segunda noite, tomando os corredores. O pai dela, reverendo C.L. Franklin, correu para Los Angeles para se sentar na primeira fila - e fazer um discurso. A renomada cantora gospel Clara Ward sentou-se ao lado dele usando um vestido de lantejoulas. Mick Jagger e Charlie Watts, dos Rolling Stones, estavam na cidade e também vieram vê-la.

Ainda que Aretha não gostasse do filme, resistindo durante anos ao seu lançamento, a sobrinha da cantora, Sabrina Owens, responsável pelo legado de Aretha, defendeu sua divulgação. “Quando vi o filme pela primeira vez, três anos atrás, tive a certeza que outros precisavam vê-lo", disse Sabrina. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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