Hooper Stone/STX Films via The New York Times
Hooper Stone/STX Films via The New York Times

Filme mostra lado ousado dos Muppets

Os produtores de Crimes em Happytime, com Melissa McCarthy, apostam em uma temática adulta para o clássico infantil

Bruce Fretts, The New York Times

06 Setembro 2018 | 10h00

O diretor Brian Henson não se surpreendeu quando alguns telespectadores ficaram mortificados com o trailer não censurado de seu novo filme Crimes em Happytime - tão explicito que só pode ser exibido nos cinemas exclusivamente para adultos. Em uma cena, "usei bonecos e spray Silly String para mostrar de maneira cômica um homem ejaculando", ele disse. "No fim, é a escolha do Silly String que faz com que as pessoas digam, 'Ah, este é um divertimento sacana, ridículo, um prazer pecaminoso'".

É claro que o fato de bonecos fazerem sexo pode ser uma dica também.

Crimes em Happytime, uma paródia de mistério estrelada por Melissa McCarthy como a policial que tem como parceiro um boneco para investigar as mortes de vítimas de feltro, não é a primeira obra maliciosa com bonecos. A Broadway apresentou Avenue Q: Vila Sésamo para Adultos e, em 2004, houve a comédia Team America: World Police. Recentemente, estreou também Puppet Master: The Littlest Reich, uma nova versão da franquia de horror sobre o tema nazista com brinquedos demoníacos.

Mas Crimes em Happytime é o primeiro filme exclusivamente para adultos da Jim Henson Company, fundada pelo pai de Brian, famosa por produzir material sem censura para toda a família como The Muppet Show.

"Fiquei preocupado com a possibilidade de o público se ofender", admitiu Brian Hanson. "Mas na verdade, ele está tão acostumado com o que meu pai e todo o pessoal da época dos Muppets faziam quando as câmeras não estavam rodando - eles tinham um senso de humor travesso, erótico".

Mas isso acontecia fora da tela. Como Henson pai, que morreu em 1990, se sentiria com a cena em que um polvo suga oito úberes de uma vaca simultaneamente? "Penso que acharia engraçado e diria, 'Você se excedeu em alguns momentos'", observou Brian Henson. "Mas hoje, nas comédias somente para adultos, existe a expectativa de que você vá se exceder um pouco, então fiz isso propositalmente".

Melissa McCarthy concordou, afirmando que não se preocupou em ofender o público de cinema. "Às vezes, quando a situação não é real, pode-se ir um pouco além do permitido", disse. Mas Melissa fez uma ressalva: “Minhas filhas não verão Crimes em Happytime, e outras crianças também não deveriam vê-lo até terem um pouco mais de idade".

O veterano ator cômico Thomas Lennon (Reno 911!: Miami), o artista de gibis que combate marionetes supremacistas brancas em “The Littlest Reich”, permitiu que seu filho mais novo, Oliver, fizesse um pequeno papel no filme. "Ele ficou extremamente feliz em participar", disse Lennon. "Mas, por enquanto, não verá o filme".

Isso porque, em Crimes em Happytime, são seres humanos de verdade que fazem sexo explícito - e são assassinados de maneira macabra pelos mininazistas. "Eu o abordei como um filme de horror, mas tudo o que faço tem comicidade", afirmou o roteirista S. Craig Zahler, autor, entre outras, coisas de Bone Tomahawk e Confronto no Pavilhão 99.

Existem precedentes em que bonecos promovem desordens, como o chocante Magic (com o ventriloquista Anthony Hopkins), de 1978, e, dez anos mais tarde, Child's Play.

E não vimos o mais recente e excêntrico filme de bonecos. Zahler está trabalhando com a Companhia Jim Henson na produção de seu projeto dos sonhos, Hug Chickenpenny, uma fábula dickensiana sobre um órfão do tipo do Homem Elefante, personificado por um boneco animatrônico. "O filme tem um senso gótico de horror, mas é um trabalho muito sincero", disse Zahler.

Um aspecto deverá diferenciá-lo de Crimes em Happytime e The Littlest Reich, segundo Zahler. "Será aconselhável somente para crianças acompanhadas por adultos ou proibido para crianças abaixo de 14 anos".

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