Lena Mucha / The New York Times
Lena Mucha / The New York Times

Alemães temem pela sobrevivência de suas florestas

Segundo dados oficiais, mais de 180 mil hectares de bosques na Alemanha estão ameaçados ou morreram nos últimos anos

Melissa Eddy, The New York Times

08 de janeiro de 2020 | 06h00

SCHIERKE, ALEMANHA– No Parque Nacional de Harz, no coração da Alemanha, um grupo de voluntários foi pegando feixes de mudas da pilha de galhos de bétulas com folhas e raízes e foi andando no meio da vegetação caída coberta de neve, à procura de buracos previamente escavados na terra negra à margem da floresta. “É preciso cobri-los bem, e não deixar nenhum bolsão de ar em baixo das raízes”, alertou Olaf Eggert, guarda florestal responsável por esse trecho do parque.

Segundo dados oficiais, mais de 180 mil hectares de bosques na Alemanha estão ameaçados ou morreram nos últimos anos. Os alemães temem pela sobrevivência de suas florestas, um tesouro natural que consideram parte da identidade da nação. Por isso, agora procuram fazer o possível para ajudar.

Os guardas solicitaram várias vezes o trabalho de voluntários para plantar novas árvores desde a criação do Parque Nacional de Harz, em 1990. Mas agora nem é mais preciso. “As pessoas têm se apresentado insistentemente, por sentirem a necessidade de fazer alguma coisa para a floresta”, disse Eggart.

Nas últimas semanas da temporada de plantio, no outono, apareceram estudantes, operários de fábricas e membros de clubes esportivos, muitas vezes em número superior ao das mudas.

Na década de 1980, o temor de que as florestas da Alemanha estivessem morrendo por causa da chuva ácida provocaram numerosos protestos. Felizmente, as leis destinadas à redução das emissões levaram a um renascimento dos bosques. Mais recentemente, a elevação das temperaturas causada pela mudança climática vem pondo em risco as florestas. Em 2018, uma seca de grandes proporções, seguida por mais um verão excepcionalmente seco, no ano passado, deixou as árvores vulneráveis ao ataque dos besouros que destroem a casca. E não é somente o stress, há também a falta de diversidade, que começou quando as florestas primitivas foram derrubadas, há centenas de anos, e substituídas por pinheiros de rápido crescimento menos resistentes.

Os bosques ocupam um lugar especial no psiquismo alemão, desde o tempo das tribos germânicas que adoravam a tília e o carvalho que cobriam a terra. Os românticos alemães do século 19 reviveram a imagem da floresta como um lugar mítico, sinônimo de perigos, como na história de Chapeuzinho Vermelho ou ao contrário, protetor, como na da Branca de Neve.

Fonte de riqueza

A industrialização fez com que os alemães vissem as florestas como uma fonte de riqueza que poderia ser gerida e explorada. Em resposta, nasceu o conservacionismo, com a introdução de iniciativas de reflorestamento.

Os guardas florestais calculam que, em 2019, foram plantadas 80 mil mudas ao redor de Schierke. No centro do parque, as autoridades deixaram que a natureza se recuperar por força própria, o que colocou os preservacionistas contra os defensores do reflorestamento que temem que o abandono das árvores mortas possa provocar o alastrar-se de infestações de insetos.

Cornelius Meyer-Stork é um reflorestador particular, proprietário de cerca da metade de todas as áreas cobertas de florestas da Alemanha. Ele aplaudiu o apoio governamental, destacando que os produtores agrícolas da União Europeia recebem uma verba de cerca de US$ 288 por hectare. Enquanto isso, “os que se preocupam em reflorestar não recebem nada”, afirmou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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