Ryan Pfluger para The New York Times
Ryan Pfluger para The New York Times

'Fora de Série' marca estreia de Olivia Wilde como diretora

Segundo a atriz, este é o primeiro trabalho que revela seu potencial e não está inteiramente relacionado à sua aparência

Dave Itzkoff, The New York Times

22 de maio de 2019 | 06h00

Antes de Olivia Wilde tornar-se diretora de cinema ou uma estrela com inúmeros projetos, foi, como tantas outras, uma recém-chegada em Hollywood, em busca de orientação. Foi nesse período instável, que Olivia viu Tilda Swinton em uma festa e pediu seu conselho.

O conselho a surpreendeu. Tilda disse que, com a idade, ela adquiriria segurança em si mesma e clareza quanto à sua identidade. Olivia reflete sobre este encontro há 15 anos, mas só entendeu a lição, como ela a considera, recentemente. "Fica muito mais interessante quando você tem idade demais para se fazer de tonta", afirmou.

Seu novo filme, Fora de Série, é particularmente especial para ela porque é sua estreia como diretora, mas Olivia o considera ainda mais valioso. "A coisa mais notável é que estou com 35 anos e este é meu primeiro trabalho que não dependeu inteiramente e nem está relacionado à minha aparência", afirmou. "Admitir isso me causa repulsa, mas pensei bastante a respeito".

Fora de Série é uma comédia indecente, barulhenta e sem o menor escrúpulo sobre duas amigas estudiosas que tentam aproveitar ao máximo a noite anterior à sua formatura no colegial. É uma celebração da adolescência, segundo uma perspectiva decididamente feminina. É também uma história que mostra como não valorizar as pessoas pela aparência. O filme foi recebido com grande entusiasmo em março durante o festival de música e artes em Austin, no Texas.

Como Olivia disse, ela já recebeu demonstrações suficientes de que foi catalogada por sua beleza, o que a fez duvidar de seu talento. "Se eu me senti explorada?", indagou. "Sim. Se entendo que devo ignorar isso? Sim".

Nos últimos anos, Olivia passou a ser reconhecida como diretora graças à realização de vídeos de música para a banda Red Hot Chili Peppers e de um curta para a revista Glamour. Recentemente, ela produziu documentários e filmes de ficção em que também foi a estrela.

Olivia impressionou consideravelmente Jessica Elbaum, presidente da Gloria Sanchez Productions, quando realizaram juntas um projeto para a Comedy Central TV. Jessica, que foi uma das produtoras de Fora de Série, e cuja companhia se concentra em filmes dirigidos por mulheres, encorajou Olivia a lançar-se como diretora.

Olivia leu o roteiro e sentiu muita afinidade com o tema, a ponto de acreditar que poderia tornar Fopra de Série o "hino de uma geração - algo que ajudasse seu público a encontrar graça e alegria no processo de amadurecimento". "Ser jovem deve ser mais difícil agora. Eles não podem pensar apenas em serem jovens", disse.

Jessica explicou que o fato de ter mulheres em postos que exigem a tomada de decisões foi responsável "um milhão por cento" por Olivia ter conseguido o cargo. "(Esses postos) são totalmente conduzidos por mulheres e para mulheres dispostas a apoiar mulheres e a estarem ali para outras mulheres", afirmou.

Olivia convidou a roteirista Katie Silberman para fazer as revisões, acrescentar personagens e enfatizar o tema de que, assim como as personagens principais, querem ser vistas por aquilo que são e também precisam deixar de lado os preconceitos a respeito das colegas que rejeitam.

"Este não é um filme sobre duas garotas geniais que tentam se integrar", explicou Olivia. "Mas sobre como aprender a aceitar os outros".

Katie disse que Olivia tinha ideias claras e específicas sobre as cenas que gostaria de acrescentar - como uma alucinação acidental das duas heroínas por conta do uso de drogas - e a trajetória que ela quis que as personagens seguissem.

"Pudemos contar uma história sobre mulheres inteligentes cuja inteligência constituiu a linha principal da trama", disse Katie. "Elas haviam escolhido claramente a escola e não o mero divertimento, e depois perceberam que foram as únicas a fazer essa escolha".

O filme foi rodado no ano passado em apenas 26 dias, o que exigiu que Olivia utilizasse as mesmas estratégias que aprendeu com seus diretores no passado. Fora de Série também deu a ela as oportunidades para corrigir os erros que encontrara em outros projetos e fazer o filme protetor e estimulante que sempre quis fazer.

Kaitlyn Dever, uma das atrizes do longa, contou que confiou plenamente em Olivia. "Ela é tão consciente que dá a impressão de que esteve aqui antes, muitas vezes. Não houve um momento em que eu duvidasse do que Olivia estava fazendo".

Olivia continua ligada à interpretação, principalmente agora que esteve do outro lado da câmera. "Interpretar é uma catarse", afirmou. "É uma terapia. Só fica melhor quando você não faz isso por necessidade".

Mas, por enquanto, ela está desfrutando da experiência de Fora de Série e tendo a sensação de ter finalmente demonstrado o potencial que algumas pessoas viam nela. Contou também que conheceu Steven Spielberg em um evento, e disse a ele que também queria fazer filmes.

Algum tempo depois, recebeu uma mensagem de Spielberg que dizia: "Se quiser ser uma médica, olhe antes de pular. Se quiser entrar no show business, pule antes de olhar". Olivia mandou emoldurar o bilhete e o colocou em seu escritório. "Quero dizer a ele que já pulei", afirmou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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