Donald Miralle/The New Tork Times
Donald Miralle/The New Tork Times

Formação de cataratas pode ir além de fatores naturais

Estudo feito por cientistas busca entender os processos de formação de quedas d'água e que relações podem ter com o desenvolvimento do planeta 

Robin George Andrews, The New York Times

16 de abril de 2019 | 06h00

As cataratas são quedas d’água violentas, que às vezes modificam as paisagens por onde escorrem, desobedecendo às exigências da gravidade. Da resplandecente Skógafoss, na Islândia, à família de cataratas de Milford Sound, na Nova Zelândia, elas costumam provocar aplausos enquanto espetáculos aquáticos do mundo natural.

Há muito tempo, supõe-se que as quedas d’água só podem se formar quando outras forças naturais o permitem. O movimento tectônico que desloca a rocha ao seu redor, as alterações do nível do mar, a mudança de uma rocha resistente para outra mais facilmente corroída pela erosão são maneiras pelas quais forças naturais influenciariam, ao que se acredita, o local em que as cataratas se formam.

Entretanto, construindo um rio em escala reduzida em seu laboratório, alguns cientistas demonstraram que às vezes elas podem existir sem qualquer ajuda externa. Os cientistas “muitas vezes usam a presença de cataratas para tentar reconstruir a história de uma paisagem”, disse Edwin Baynes, um geomorfologista da Universidade de Auxkland, na Nova Zelândia, que não participou do estudo. 

A pesquisa

Graças a uma melhor compreensão do processo de sua formação, o novo estudo poderá levar os cientistas a reconsiderarem como o nosso planeta se formou, favorecendo um exame no tempo geológico com uma maior precisão. Para investigar como as cataratas se formam, os pesquisadores construíram um canal de oito metros de comprimento, 30 centímetros de largura, um metro de profundidade no California Institute of Technology. Eles o encheram com um leito espumoso de rocha, e deixaram a água rica em sedimentos fluir até a sua superfície. Usando um leito fluvial feito de espuma e não de rocha real, a equipe pôde observar milênios de erosão revelando-se de modo mais rápido.

O fluxo turbulento do “rio” escorrendo por uma encosta muito inclinada começou a cavar em algumas partes do leito do rio. Mas ele o fez de maneira desigual: alguns bolsões se desgastaram mais rapidamente do que outros, e a erosão foi aumentando à medida que o rio continuou fluindo velozmente. Sem que agentes externos provocassem alguma mudança nos sedimentos, na taxa do fluxo, no formato do canal inferior ou outras coisas, formou-se um profundo bolsão de erosão que fez com que o rio saltasse da parte superior do leito do rio e esguichasse mais distante. E assim, sem nenhuma interferência, formou-se uma catarata.

A pesquisa poderá contribuir para a nossa compreensão das paisagens da Terra. Ao atribuir incorretamente a formação das cataratas a forças externas, talvez os cientistas estejam “se baseando em sinais climáticos ou tectônicos errôneos”, avaliou Kate Leary, geomorfologista fluvial da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara.“Criar uma maneira de distinguir as cataratas que se formam por conta própria das que são causadas por forças externas seria muito benéfico para desemaranhar estes sinais em paisagens tectonicamente ativas", afirmou. 

Os resultados destes experimentos sugerem que as seções íngremes de cursos de água rio acima nas montanhas do mundo todo talvez possam mostrar a criação de cataratas. Joel Scheingross, professor da Universidade de Nevada e principal autor do estudo, disse que aparentemente a gênese das cataratas “é um quadro mais complicado do que se acreditava originalmente". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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