Robert A. DePalma / The New York Times
Robert A. DePalma / The New York Times

Fósseis revelam história apocalíptica de 66 milhões de anos

Evidências da queda do gigantesco meteoro que devastou o planeta foram encontradas no estado americano de Dakota do Norte

William J. Broad e Kenneth Chang, The New York Times

09 de abril de 2019 | 06h00

Há 66 milhões de anos, um gigantesco meteoro atingiu a Terra ao largo da costa do México. Tempestades de fogo incineraram milhares de quilômetros ao redor da zona do impacto. Seres vivos foram dizimados a milhares de quilômetros de distância, senão pelo fogo e pelo enxofre, por megaterremotos e pelas ondas sucessivas. Agora, os cientistas acabam de descobrir uma enorme quantidade de fósseis que parecem datar do dia do impacto. 

O local em que foram encontrados consiste de mais de um metro de sedimentos e resíduos orgânicos enterrados quase instantaneamente na Dakota do Norte e transformados em rocha ao longo das eras. Ele guarda as repercussões do meteorito gigantesco e apocalíptico que preparou o caminho para a evolução os mamíferos, e também dos primatas conhecidos como humanos. Em um relatório divulgado no mês passado para Proceedings of the National Academy of Sciences (Anais da Academia Nacional de Ciências), cientistas descreveram uma escavação na Dakota do Norte que encapsulou o desaparecimento de um antigo lago e de seus habitantes.

Quando o meteoro atingiu as águas perto da Península de Yucatán, no México, produziu uma cratera conhecida como Chicxulub e provocou turbulências  a milhares de quilômetros de distância - onde está hoje Dakota do Norte, por exemplo. No prazo de horas, criaturas do mar foram atiradas no interior dessa cratera e lá depositadas juntamente com árvores, flores e peixes de água doce. A miscelânea de coisas foi rapidamente enterrada e preservada. Permeando o depósito havia minúsculas bolas de argila e vidro, conhecidas como tectitos, que se formaram quando a rocha derretida, ejetada pelo impacto, choveu do céu.

Os pesquisadores  afirmam que o leito fóssil contém as ramificações imediatas para a vida do impacto ocorrido em Chicxululb. Esta parece ser a melhor imagem daquele dia. As rochas continham árvores, ramos, peixes e outros animais fossilizados. Os tectitos, que choveram na água, entupiram as guelras dos peixes, que então morreram pela extrema pressão das águas. É possível que a água tenha viajado do Golfo do México através de um mar interno que existia na América do Norte da época. Mas os cientistas afirmam que as ondas cataclísmicas do impacto, que produziu o equivalente da magnitude de 10 a 11 terremotos, agitaram lagos, mares e rios. 

“Basicamente, elas agitaram a água como uma lavadora de roupas”, afirmou Phillip L. Manning, paleontólogo da Universidade de Manchester na Inglaterra e autor do relatório. “Quando esta onda de choque se dissipou, ela quase instantaneamente despejou todo o seu volume de água”. Isso, segundo ele, formou o depósito da Dakota do Norte.

O impacto de Chicxulub é considerado o golpe mortal para os dinossauros. Mas segundo alguns, outros fatores, como erupções vulcânicas e perturbações climáticas, contribuíram para o desaparecimento dos répteis gigantes. O principal pesquisador, Robert A. DePalma, curador de paleontologia do Museu de História Natural de Palm Beach Museum, na Flórida, disse que o propósito deste relatório foi estabelecer a geologia e o momento do que aconteceu naquele dia. “Não se trata de um estudo sobre os dinossauros. Mas de uma visão básica do local e de como se formou”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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