Tyler Winkler
Tyler Winkler

A história dos furacões pode estar escondida nas águas profundas

A atividade das tempestades se reduziu nas Bahamas, por enquanto

Katherine Kornei, The New York Times

13 de janeiro de 2020 | 06h00

Katrina. Harvey. Maria. Dorian. Nos últimos anos, os furacões mataram milhares de pessoas e causaram prejuízos de bilhões de dólares. Entretanto, é muito difícil ter uma ideia da frequência com que estas tempestades destruidoras castigaram o planeta porque os seus registros remontam a apenas um século e meio atrás. 

Agora, os pesquisadores reuniram uma história de 1,5 mil anos destes furacões nas Bahamas, com base na areia e nos fragmentos de conchas encontrados em cavernas submarinas conhecidas como buracos azuis. Os seus resultados, publicados na revista Paleocenography and Paleoclimatology, mostram que a atividade destas tempestades variou ao longo do tempo.

Os buracos azuis se formam quando a rocha carbonática sofre erosão, desmorona e enche de água. Os furacões lavam o material bruto como areia, cascalho, conchas e pedaços de coral que se encontram no seu interior. Em 2014, cientistas do Massachusetts Institute of Technology/Woods Hole Oceanographic Institution Joint Program in Oceanography coletaram núcleos de sedimentos dos buracos azuis na Ilha South Andros.

A equipe usou a datação por radiocarbono para descobrir as idades de folhas dos manguezais encontradas nos núcleos. Então calcularam quando cada camada de escombros de furacões foi depositada. E se concentraram em 51 camadas em seu mais longo registro dos núcleos, com cerca de 18 metros de comprimento. A camada mais antiga foi depositada por volta de 500 a.C.

A atividade dos furacões nas Bahamas não foi constante, mostrou a equipe. Por exemplo, do sétimo ao nono séculos; ocorreram mais de seis tempestades por século, em média. Mas os pesquisadores não encontraram escombros de furacões entre aproximadamente 1840 e 1915.

Estes núcleos não captam cada furacão, apenas as tempestades mais fortes que passam a cerca de 50 quilômetros da Ilha South Andros. As causas estão possivelmente nas mudanças da circulação oceânica e atmosférica e no vulcanismo, sugerem os pesquisadores.

A Zona Internacional de Convergência, a região dos trópicos para a qual convergem os ventos alísios dos hemisférios Norte e Sul, provoca a convecção que dá início a um furacão. Se a zona se move para o norte, estará registrado um número maior de furacões nas latitudes norte. As erupções vulcânicas também podem lançar para cima aerossóis que esfriam o planeta. As temperaturas mais frias da superfície dos oceanos têm sido relacionadas a uma redução da atividade dos furacões.

Somente dois furacões aparecem nos núcleos da Ilha South Andros desde 1851, o ano em que os Estados Unidos começaram a registrar tais fenômenos. Esta frequência média, de apenas mais de um furacão por século, é muito inferior à média de períodos anteriores, segundo afirmou Jeffrey Donnelly, um paleoclimatologista de Woods Hole. “Grande parte dos últimos 1,5 mil anos foi muito mais ativa do que tudo o que vimos no século passado”. Se o passado pode servir de indicação, sugerem os pesquisadores, esta calmaria será temporária. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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