Akos Stiller para The New York Times
Akos Stiller para The New York Times

Futuro de ursos em cidade romena divide moradores, ambientalistas e caçadores

Baile Tusnad ganhou certa fama por causa da observação de ursos na Europa

Palko Karasz, The New York Times

06 Dezembro 2018 | 06h00

BAILE TUSNAD, ROMÊNIA - Uma noite, depois do trabalho em Baile Tusnad, uma cidade na Transilvânia oriental, um jovem casal estava sentado em um automóvel, com os faróis dianteiros acesos, os olhares fixos nas lixeiras de um beco, onde enormes ursos pardos costumam procurar comida.

“É uma atração local”, segundo Hunor Stekbauer.

A sua namorada, Henrietta Gergely, contou que muitas pessoas ficam esperando à noite, ansiosas por avistar um urso pardo.

Baile Tusnad, com uma população de cerca de 1.600 habitantes, ganhou certa fama por causa da observação de ursos na Europa, graças a uma confluência de práticas de caça e do legado de um antigo ditador que permitiu que a população destes animais crescesse.

Nicolae Ceausescu, ex-ditador do país e ávido caçador de ursos, garantiu que houvesse muitos destes animais na região para permitir que ele ganhasse troféus, hoje eternizados em seu eterno rugido nas paredes do museu. Ele deixou uma população de ursos que cresceu chegando a mais de 6 mil.

Mas o habitat dos animais encolheu e as fontes do seu alimento diminuíram à medida que o desenvolvimento foi invadindo o seu território. Como os ursos começaram a sair das florestas e a penetrar nas cidades, destruíram jardins, feriram o gado e ameaçaram as pessoas.

Logo, a necessidade de controlá-los ganhou urgência.

A Romênia baniu a caça do urso e os seus troféus há dois anos, como parte da pressão da União Europeia para a preservação da diversidade da vida selvagem. A proibição reduziu consideravelmente a renda das sociedades de caça que comercializaram os troféus de caça ao urso por milhares de dólares para estrangeiros afluentes.

As autoridades de Bucareste emitiram dezenas de autorizações para matar ursos sempre que estes representassem uma ameaça aos seres humanos ou ao gado, enquanto a proibição da caça esteve em vigor. Então, um novo programa adotado em julho previu a redução da população de ursos pela caça seletiva.

Jeno Kovacs, um caçador de Baile Tusnad, disse que, sem a caça seletiva, os ursos que entrassem na cidade morreriam em acidentes de carro, atingidos por trens ou envenenados pelas pessoas.

O programa de caça seletiva atraiu a oposição de organizações como o World Wide Fund for Nature, segundo a qual o abate puro e simples não é um método eficiente para controlar a população de ursos. Quando ursos e humanos se encontram, a situação pode ficar violenta.

Jozsef Keresztes ficou desfigurado há trinta anos quando um urso o surpreendeu nos campos perto de Bixad, uma aldeia ao sul de Baile Tusnad.

“Eu nunca havia visto um urso antes e nem vi depois disso”, disse Keresztes. “Nós estamos acostumados, mas temos medo deles”.

Janos Szin vê a oportunidade nos animais. Ele guia excursões para ver ursos na região de Baile Tusnad. Isto acaba sendo uma opção, ele disse: “Você quer ver o urso como um pedinte, fazendo a maior bagunça nos depósitos de lixo, ou como o rei dos Cárpatos em seu próprio castelo?”

Em Baile Tusnad, era quase meia-noite. Kovacs estava na hospedaria dos caçadores que tem perto do centro da aldeia quando ele e alguns visitantes viram um grande urso andar casualmente por uma rua pavimentada. Kovacs e os presentes aplaudiram excitados. “Nunca quis atirar neles”, afirmou “Amo ursos”.

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