Tristan Spinski / The New York Times
Tristan Spinski / The New York Times

Gigantes dos calçados fecham lojas pequenas

Estabelecimentos independentes foram obrigadas a abandonar o ramo pela concorrência de grandes empresas e pelas compras online

Murray Carpenter, The New York Times

13 de julho de 2019 | 06h00

BELFAST, MAINE - A Colburn Shoe Store, fundada em 1832, gosta de definir-se como a mais antiga loja de calçados dos Estados Unidos. O proprietário, Colby Horne, e seu pai Brian, lembram das marcas prediletas e dos números dos seus clientes. Mas eles não podem mais vender algumas das marcas mais procuradas, como Nike e Adidas. 

Nos últimos anos, muitos comerciantes independentes foram simplesmente cortadas pelos grandes fabricantes. Em alguns casos, pequenas empresas são obrigadas a comprar antecipadamente US$ 20 mil ou mais em calçados. O que pode significar pelo menos 500 pares de sapatos, um número excessivo para uma loja pequena estocar e vender em um ano, além das outras marcas.

Algumas lojas independentes foram obrigadas a abandonar o ramo pela concorrência das grandes lojas e pelas compras online. Agora, com a obrigação de comprar lotes mínimos, as lojas sofrem uma pressão ainda maior. A Glick’s Shoe Store de Lewistown, Pensilvânia, por exemplo, fechou as portas em maio, depois de estar no comércio há 90 anos. Nicole Swanger, a gerente, atribui o fechamento da loja à perda de sua conta com a Nike, a marca mais vendida. “Aparentemente, agora é o volume que determina os lucros das grandes marcas de sapatos”, disse Brian Horne. “Obviamente, uma loja de sapatos não pode trabalhar com grandes volumes”.

Segundo Horne, as grandes indústrias de sapatos também orientam cada vez mais seus clientes a procurarem os respectivos sites. O mercado de calçados americano valia US$ 72 bilhões nos doze meses encerrados em março, e cerca de 30% destas vendas foram feitas online, segundo estimativas do NPD Group, uma empresa de pesquisa de mercado. As vendas de sapatos subiram 4% em relação aos 12 meses anteriores. Mas as vendas diretas ao consumidor das próprias lojas da marca, sites e catálogos cresceram 12%. “Isto não significa que as lojas físicas estejam desaparecendo, mas o seu número deverá se reduzir”, projetou Matt Powell, analista da indústria de material esportivo para a NPD.

A Nike não falou nos detalhes de sua estratégia. A Adidas também não quis dar dados específicos, mas afirmou que não tem um limite mínimo de encomendas. Entretanto, alguns varejistas independentes afirmam que perderam contas apesar de aceitarem os mínimos. Kevin Carter, proprietário da Carter’s Clothing and Footwear, disse que as lojas da companhia em Massachusetts adquiriram US$ 350 mil em produtos da Nike ao ano. Mas depois  de um relacionamento de 30 anos, a Nike parou de vender para a Carter’s em 2013, sem nenhuma explicação.

“A parte mais triste é que todas as pequenas lojas independentes que eles estão cortando já existiam antes de aparecerem as grandes cadeias”, afirmou Carter. “Estávamos em todas as esquinas, e fomos nós que permitimos que construíssem as suas marcas”.

Chuck Schuylar, presidente da Associação Nacional de Comerciantes de Sapatos, disse que o número de lojas independentes nos Estados Unidos está caindo, e calculou que restam apenas de 6 mil a 8 mil. Colby Horne contou que, quando os clientes entram para procurar tênis de corrida Adidas ou Nike, ele sugere marcas usadas em geral pelos corredores como Brooks, New Balance ou Saucony. A loja tem contas com mais de 100 marcas.

Os clientes experimentam sapatos em sua loja, e depois os compram online. Ou então trazem sapatos que não servem, comprados online para ajudá-los a encontrar os que servem. Segundo ele, é uma oportunidade de oferecer um serviço pessoal. Pode ser que naquele momento ele não consiga uma venda, mas poderá encorajar o cliente a voltar. “É ali que entra a nossa habilidade na hora de vender”, acrescentou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA 

 

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