Nathan Bajar / The New York Times
Nathan Bajar / The New York Times

Grandes empresários acreditam que criptomoeda não está pronta

As instituições de Wall Street se moveram lentamente em relação à moeda digital, analisam especialistas

Nathaniel Popper, The New York Times

26 de abril de 2019 | 06h00

SAN FRANCISCO - Paul Chou foi um dos entusiastas do bitcoin que julgavam que as grandes instituições de Wall Street estariam prontas para se tornarem pesos pesados em criptomoedas. Chou vem de uma destas instituições, a Goldman Sachs, e criou uma bolsa de moedas digitais, a LedgerX, plataforma de negociação e compensação de derivativos de criptomoedas, para atender grandes investidores.

Mas depois do colapso do bitcoin no ano passado, Chou agora estuda de que modo algumas das grandes companhias agiram com seus planos em criptomoedas. “No plano original, estava definitivamente previsto que tais instituições fariam parte deste mercado”, afirmou. “Estávamos errados”.

A Goldman Sachs anunciou a abertura de transações em bitcoin para os seus clientes. Um ano mais tarde, ficou claro que o interesse dos clientes era fraco. E a companhia controladora da Bolsa de Nova York adiou a abertura da bolsa de criptomoedas que anunciara no ano passado. Por sua vez, a Bolsa de Opções de Chicago informou, no mês passado, que deixaria de oferecer contratos de transações em bitcoins começados no fim de 2017.

As hesitantes iniciativas de algumas grandes financeiras refletem uma retração no setor de criptomoedas depois da crise do ano passado, quando o preço de um bitcoin caiu de cerca de US$ 20 mil para algo em torno de US$ 4 mil. Este mês, o preço esteve por volta de US$ 5 mil. Alguns entusiastas esperavam conseguir legitimidade com o ingresso das instituições de Wall Street. Mas as suas lutas demonstram as dificuldades enfrentadas para tirar o bitcoin de uma situação marginal na internet para o mundo como um todo.

“As apostas inteligentes sabem que o cripto ainda não está pronto”, disse Ciaran Murray, corretor de criptomoedas de Londres. Murray tentou criar um fundo de cobertura concentrado em tokens (ativos digitais), mas constatou que quando os investidores vasculhavam a fundo na tecnologia, eram impedidos. “Quando você examina os detalhes, eles ficam assustados”, afirmou.

Mas as grandes companhias não se afastaram totalmente. A Goldman e a controladora da Bolsa de Nova York, a Intercontinental Exchange, seguem em frente com suas transações em criptomoedas. No Vale do Silício, Jack Dorsey, diretor do Twitter e da companhia de pagamentos online Square, informou no mês passado que tentava contratar três ou quatro desenvolvedores de bitcoins. Ele comparou a tecnologia à internet dos primórdios, com os mesmos problemas e potenciais.

Alguns observadores afirmaram que, para o bitcoin tornar-se particularmente atraente entre os grandes investidores, estes deverão poder adquirir e reter bitcoins de verdade. A Intercontinental Exchange disse inicialmente que esperava abrir sua bolsa de criptomoedas, a Bkkt, no fim do ano passado, oferecendo a investidores a possibilidade de custodiar os bitcoins adquiridos. Em 2018, a Goldman Sachs informou também que esperava permitir que os seus clientes adquirissem e custodiassem bitcoins.

As iniciativas do Bakkt e da Goldman Sachs ainda se encontram no limbo por causa de dúvidas das reguladoras a respeito de como os clientes poderiam custodiar os bitcoins. Entusiastas afirmaram que a criptomoeda original é útil como lugar para conservar valores longe do controle de qualquer governo ou instituição, como uma versão digital do ouro. Mas esta hipótese foi testada enquanto o valor do bitcoin mudava. E outras aplicações dos bitcoins no pagamento de coisas online, por exemplo, não decolaram. “Acho que levará anos para que o bitcoin esteja pronto para usos não especulativos”, continuou Murray./ TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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