Christie Hemm Klok para The New York Times
Christie Hemm Klok para The New York Times

Grandes empresas competem no setor de chips de alta tecnologia

Sistemas de inteligência artificial produzidos por empresas como o Google dependem de um chip chamado 'unidade de processamento gráfico' ou G.P.U.

Cade Metz, The New York Times

21 Maio 2018 | 10h00

SAN FRANCISCO – Dois booms no campo da tecnologia combinaram-se e transformaram um tipo de microprocessador antes pouco conhecido em uma commodity indispensável, mas ainda escassa.

Sistemas de inteligência artificial, produzidos por gigantescas companhias, como o Google e a startup chinesa Malong Technologies, dependem de um chip de computador chamado ‘unidade de processamento gráfico’, ou G.P.U. Estes chips são usados também no garimpo de moedas digitais, como o Ethereum, uma alternativa do Bitcoin.

Mas, como pessoas e empresas estão envolvidas nos dois nichos em grande expansão comprando os mesmos chips, as GPUs já escasseiam há vários meses. Por outro lado, os preços subiram 50%, informam revendedoras e clientes.

“Acontece que os estoques de chips estão acabando”, afirmou Matt Scott, que fundou a Malong depois de sair do laboratório de pesquisa da Microsoft, em Pequim, em 2014. “E o problema está se agravando”.

A Malong, sediada em Shenzhen, constrói neste momento um sistema capaz de analisar fotos digitais e de aprender a reconhecer objetos. Esta tarefa requer um enorme número de fotos, e a análise de todas estas fotos depende do chip de GPU.

Recentemente, a Malong encomendou um novo hardware de uma fornecedora da China, mas a remessa atrasou quatro semanas, e o preço dos chips já havia aumentado cerca de 15% em relação ao dos seis meses anteriores.

As GPUs foram criadas inicialmente para produzir ilustrações para videogame e outros software. Agora, são uma ferramenta essencial para criar inteligência artificial.

Estas fabricantes constroem, assim como a Malong, as chamadas redes neurais, algoritmos complexos que aprendem tarefas analisando enormes quantidades de dados. Grandes números de GPUs, que consomem relativamente pouca energia elétrica, e podem ser acomodadas em um espaço reduzido, armazenam as enormes quantidades de cálculos matemáticos exigidos pelas redes neurais de maneira mais eficiente do que os chips comuns.

Cripto garimpeiros adquiriram três milhões de placas de GPUs – painéis planos que podem ser introduzidos em computadores pessoais ou de outro tipo – por um total de US$ 776 milhões no ano passado, mostrou Jon Peddle, um pesquisador que monitorou as vendas dos chips.

Talvez a quantia não pareça tão considerável em um mercado que movimenta mais de US$ 15 bilhões, mas somando a procura dos fabricantes de IA e dos cripto garimpeiros, sem contar a dos consumidores de  videogames, a oferta se reduziu. A situação é tão difícil que os revendedores da Nvidia, fabricante de chips do Vale do Silício, que produz cerca de 70% das placas de GPUs, muitas vezes limitam a quantidade diária que as companhias podem adquirir.

Segundo a AMD, outra fornecedora de GPUs, e outras companhias, a escassez é uma consequência da limitada oferta mundial de outros componentes das placas de GPUs. Além do que, elas observam, os preços começaram a se estabilizar.

O que representou uma nova oportunidade para outras fabricantes de chips. Uma empresa chamada Bitmain lançou um novo chip para garimpar moedas de Ethereum. O Google, por sua vez, construiu seu próprio chip para trabalhar na área de IA, permitindo o seu acesso a outras companhias mediante um serviço de computação em nuvem. E o Facebook indicou que também está trabalhando com um chip somente para a área de IA.

Matthew Zeller, diretor executivo e fundador de uma startup para a visão computacional, de Nova York, informou que recentemente a sua empresa adquiriu novas GPUs destinadas ao seu centro de dados de Nova Jersey, mas não conseguiu instalá-las por mais de um mês porque os racks de computador necessários para abrigar os chips estavam em falta em razão das mesmas pressões do mercado.

“A demanda do mercado é uma coisa absolutamente maluca”, ele disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.