Middle East Media Research Institute / The New York Times
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Terroristas recorrem a bitcoins e outras criptomoedas para ocultar financiamentos

O uso de moedas digitais vai da aquisição de drogas à lavagem de dinheiro, permitindo fazer transações sem que uma autoridade possa fechar contas e congelar fundos

Nathaniel Popper, The New York Times

26 de agosto de 2019 | 06h00

SAN FRANCISCO – O Hamas, grupo militante palestino, foi definido como uma organização terrorista pelos governos ocidentais e excluído do sistema financeiro tradicional. Mas, este ano, ele criou uma campanha para a captação de dinheiro usando bitcoin. No site montado por sua ala militar, conhecida como Brigadas Qassam, todo visitante recebe um endereço bitcoin único para enviar a moeda digital, o que torna quase impossível rastrear as doações.

Os terroristas demoraram para imitar os elementos criminosos  que foram atraídos pelo bitcoin para todo tipo de transação, da aquisição de drogas à lavagem de dinheiro. Mas, nos últimos meses, as agências que rastreiam os financiamentos de terroristas começaram a lançar alarmes diante do aumento do  número de organizações terroristas islâmicas que estão experimentando bitcoin e outras moedas digitais.

Os rendimentos das campanhas individuais parecem modestos – mas do teor de dezenas de milhares de dólares. Entretanto, as autoridades observam que os ataques terroristas frequentemente exigem um financiamento reduzido. E estes grupos estão aprendendo a utilizar as criptomoedas de maneira mais sofisticada, permitindo ter e transferir dinheiro sem que uma autoridade central possa fechar as contas e congelar os fundos. Qualquer pessoa pode criar um endereço bitcoin e começar a receber códigos digitais sem fornecer um nome ou um endereço físico.

Pesquisadores online descobriram recentemente campanhas realizadas por militantes sírios que pediam aos seguidores o envio de doações para endereços bitcoin que postavam na rede social Telegram.  Quando as Brigadas Qassam começaram a levantar dinheiro no fim do ano passado, a empresa de pesquisa israelense Whitestream declarou que o Hamas estava guardando pelo menos parte do dinheiro em carteiras criadas juntamente com a companhia americana de criptomoedas Coinbase.

Segundo um funcionário da organização, a companhia congelou imediatamente a conta e a apresentou às autoridades dos Estados Unidos. As Brigadas Qassam reagiram criando carteiras que estão que controlam integralmente. O site das Brigadas também começou a fornecer novos endereços Bitcoin para cada doador em potencial, método aparentemente emprestado do Estado Islâmico, que gera um sem número de endereços bitcoin há quase dois anos. As Brigadas não responderam a diversas solicitações para que comentassem o caso.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos vem estabelecendo normas internacionais que exigem que, nas trocas de criptomoedas, seja realizada uma verificação completa da identidade de todos os que enviam moedas digitais de uma conta. Mas terroristas já estão usando criptomoedas que oferecem uma privacidade maior do que bitcoins “Acho que nós estamos ainda na fase da experimentação para grupos terroristas – eles tentam imaginar qual será a melhor maneira de fazer isto”, afirmou Juan Zarate, assessor da Coinbase. “O desafio é o fato de eles continuarem experimentando”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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