Charlie Riedel/Associated Press
Charlie Riedel/Associated Press
Adrienne Harris, The New York Times

09 de junho de 2019 | 06h00

O ressentimento, seja mesquinho ou sério, pode durar anos, e até décadas. Mas o que ganhamos ao guardar ressentimento? Algumas pesquisas mostram que o ressentimento pode ser nocivo à nossa saúde no longo prazo. “Na verdade, guardar ressentimento é uma estratégia pouco eficaz para lidar com uma situação na vida que não pudemos dominar", disse ao Times Frederic Luskin, fundador do Stanford Forgiveness Project.

“Sempre que não podemos viver o pesar e assimilar o que ocorreu, acabamos guardando algum tipo de ressentimento", acrescentou ele. “Quando se trata de amargura, nós a guardamos com raiva. Se é a falta de esperança, nós a guardamos com desespero. Mas ambos são respostas psico-psicológicas à incapacidade de lidar com uma situação, e ambos causam estragos físicos e mentais.”

Um estudo publicado em 2006 na revista Journal of Clinical Psychology como parte do Stanford Forgiveness Project revelou que o treinamento do perdão pode reduzir a raiva enquanto forma de lidar com as situações e, com isso, reduzir o estresse para o sistema imunológico e cardiovascular. Além disso, um estudo publicado esse ano revelou que a raiva guardada até a velhice está associada a níveis mais elevados de inflamação e doenças crônicas.

Mas algumas pessoas dizem que guardar ressentimento pode ser algo positivo. Sophie Hannah, romancista de mistérios policiais, usou sua experiência na terapia para escrever o livro How to Hold a Grudge (Como guardar ressentimento). Para ela, o ressentimento não é um sentimento negativo, e sim uma história a partir da qual podemos aprender. “Quando vivenciamos algo indesejável que alguém fez contra nós, o ressentimento é a história que lembramos a partir do incidente, porque é vantajoso para nós lembrar essa história", disse ela ao Times.

Um ressentimento vivo também pode consolidar e validar uma experiência, criando espaço para reconhecermos que algo ruim aconteceu. De acordo com Sophie, se não deixarmos que as coisas nos afetem, estamos nos furtando a oportunidade de trabalhar as emoções negativas.

Como parte do processo, Sophie sugere escrever a narrativa do nosso ressentimento para analisar o que ocorreu e oferecer espaço para que os sentimentos negativos se tornem mais fáceis de administrar. “Tiramos o ressentimento de nós para não ficarmos encalhados em um sentimento", disse ela.

De acordo com Sophie, o próximo passo é reescrever a narrativa. “Se você pudesse reescrever essa história mudando apenas o seu próprio comportamento, quais seriam as mudanças?” Construir o ressentimento dessa forma pode ajudar a nos sentirmos participantes ativos da história, e não uma vítima dela.

Ao re-enquadrar os fatos dessa maneira, podemos descobrir a necessidade de reconhecer uma ofensa ou fracasso. A professora de linguística Deborah Tannen, da Universidade Georgetown, em Washington, disse que é importante saber quando devemos pedir desculpas.

De acordo com um estudo de 2016, há seis passos para um pedido de desculpas eficaz. É necessário manifestar arrependimento, explicar o que houve de errado, reconhecer a própria responsabilidade, declarar-se arrependido, oferecer uma solução e pedir perdão. Não é fácil.

Na verdade, não pedir desculpas pode trazer uma sensação agradável. Um estudo publicado na revista European Journal of Social Psychology revelou que as pessoas que se recusam a pedir desculpas depois de um erro se sentem mais poderosas e com melhor autoestima do que aqueles que se desculparam.

Mas, se evitar as desculpas pode trazer uma sensação boa para o indivíduo, isso não ajuda a pessoa a se entender com os demais. “Se fazemos algo que traz grandes consequências negativas para outra pessoa", disse Tannen, “é importante reconhecer isso se valorizamos a saúde do relacionamento". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Tudo o que sabemos sobre:
psicologiapsicanálise

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.