Greg Baker/Agence France-Presse-Getty Images
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Em meio a guerra comercial, China enfrenta escassez de carne suína

Surto de doença e aumento dos preços ameaçam um elemento fundamental da dieta chinesa

Alexandra Stevenson e Raymond Zhong, The New York Times

23 de setembro de 2019 | 06h00

PEQUIM - Coisas que estão tirando o sono dos líderes da China: a economia estagnada, uma calamitosa guerra comercial, e os porcos. Mais especificamente, a escassez de porcos, que está se tornando rapidamente uma crise nacional. O preço da carne suína vem subindo há meses, e atualmente é cerca de 50% mais cara do que um ano atrás, segundo dados recentes. Os consumidores estão frustrados, e as autoridades alarmadas enquanto lutam contra o surto de uma doença que está devastando a população de porcos do país.

Pelo menos três prefeituras recorreram às reservas estratégicas de carne suína do país para garantir que os consumidores não parem de comê-la. No entanto, o público está sendo duramente afetado em uma época em que os gastos com a alimentação estão aumentando por causa da guerra comercial com os Estados Unidos.

Na China, os custos dos alimentos subiram 10%  em relação ao ano passado, aumento que se agrava com as tensões decorrentes das elevadas tarifas impostas aos produtos agrícolas e à ração do gado provenientes dos Estados Unidos. A China anunciou publicamente que a guerra comercial com os EUA não afetará a sua oferta de carne suína. Mas com as aplicação das tarifas mais recente que entraram em vigor no dia 1º de setembro, a China agora decidiu cobrar tarifas adicionais aos produtos americanos, como soja, carne suína, frutos do mar e petróleo bruto.

Há mais de um ano, o país luta para conter uma epidemia de febre suína africana, moléstia extremamente contagiosa, embora inócua para o ser humano, mas que mata quase todo suíno infectado. Casos foram noticiados em todas as províncias do país, e a doença já ultrapassou as fronteiras com o Vietnã, a Mongólia e a Coreia do Norte.

As autoridades adotaram medidas para deter o avanço da doença, inclusive o abate de 1,2 milhão de animais, mas tem sido muito difícil adotar os padrões de segurança e de higiene nos milhões de animais criados em fazendas particulares na maior parte da China. Criadores e observadores do setor afirmam que grandes números de casos de febre suína africana não são noticiados, e que muitos animais infectados acabam sendo vendidos no mercado.

O governo central do país também anunciou medidas para estimular os camponeses a voltarem a criar porcos, como subsídios para a construção ou ampliação das fazendas. Alguns subsídios oferecem nada menos que US$ 700 mil aos que assumem este encargo. Mas como a febre suína africana está ainda sendo descoberta, a expansão da criação de fêmeas poderá transmitir o contágio a novos rebanhos.

Enquanto se esforça para reconstituir a oferta de porcos do país, a China também transmite novas mensagens, enfatizando as virtudes da redução do consumo de carne suína. Um jornal do Partido Comunista publicou recentemente um artigo na primeira página com o título: “É melhor reduzir o consumo de carne suína”. “Independentemente de esta carne ser cara ou não, todo mundo deveria melhorar a sua dieta comendo menos carne suína e um pouco mais de carne branca”, dizia o artigo. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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