Natalie Keyssar para The New York Times
Natalie Keyssar para The New York Times

Guias são proibidos de levar turistas à Estátua da Liberdade

Criticada por profissionais, medida surge em um momento em que se observa um aumento populacional e no número de visitantes à cidade de Nova York

Corey Kilgannon, The New York Times

31 de maio de 2019 | 06h00

A conhecida inscrição na Estátua da Liberdade diz, "Dai-me os seus fatigados, os seus pobres, as suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade, o miserável refugo das suas costas apinhadas". Hoje, a famosa estátua no porto de Nova York dá suas boas-vindas principalmente a uma torrente de turistas.

Uma proliferação de grupos de turistas desencadeou um congestionamento de pedestres dentro da estátua e na atração vizinha, o Museu Nacional da Imigração da Ilha Ellis, que, juntos, recebem 4,5 milhões de visitantes por ano. A situação ficou tão complicada que o Serviço de Parques Nacionais, responsável por administrar ambos os locais, adotou a dramática medida de proibir as visitas guiadas à popular plataforma de observação da área externa da estátua e ao museu da Ilha Ellis.

Uma alta acentuada nas visitas guiadas comerciais resultou na necessidade de aliviar uma superlotação que "afetava muito negativamente a experiência dos visitantes no parque", disse Jerry Willis, porta-voz do Serviço de Parques Nacionais.

A jogada para limitar o número de turistas ocorre em um momento em que Nova York parece mergulhada em multidões. Na última década, a população da cidade cresceu para 8,4 milhões de habitantes, e o turismo está prosperando.

As calçadas de Manhattan estão tão lotadas que os irritados nova-iorquinos são obrigados a andar no asfalto. Times Square se transforma em uma pista de obstáculos, com pedestres desviando de super-heróis falsos em busca de gorjetas e agentes de turismo oferecendo passeios de ônibus e ingressos para espetáculos de teatro.

Havia cerca de 3.350 guias turísticos licenciados pela cidade para atender a um recorde de 65,2 milhões de visitantes que vieram a Nova York em 2018. Até 24 mil pessoas visitam a Estátua da Liberdade ou a Ilha Ellis em um dia movimentado. A maioria vai sozinha, mas as duas ilhas estão entre os destinos mais procurados por grupos de turistas em visitas guiadas, com cerca de mil pessoas viajando a esses dois locais diariamente como parte dessas visitas.

Muitos desses grupos bloqueiam entradas, superlotam exposições e impedem o fluxo, disse Willis. Há também o problema dos guias que se comportam mal, falando alto, brigando com os líderes de outras visitas guiadas, lotando o espaço das exposições ou oferecendo informações incorretas, disse ele.

Mas a exclusão das visitas guiadas comerciais enfureceu os guias. Michael Morgenthal, integrante da Associação de Guias Turísticos de Nova York, disse que os guias pediram às autoridades que propusessem a adoção de um código de conduta razoável em vez de anunciar a proibição.

"Em vez disso, eles simplesmente bateram a porta na nossa cara", disse. "Acreditamos que seja uma reação exagerada".

As visitas guiadas comerciais ainda são permitidas nas ilhas, no saguão da estátua e no mezanino.

Morgenthal contou que cerca de 250 guias trazem regularmente passeios guiados para as ilhas, e as novas restrições acabariam com o negócio deles. Segundo ele, é muito menor o número de turistas interessados em fazer um simples passeio pela área externa. Em vez disso, muitos optarão pelos passeios do próprio serviço de parques.

Enquanto Morgenthal conversava com a reportagem dentro do Grande Salão do museu da Ilha Ellis, um guia do serviço de parques chegou com um grupo de aproximadamente 50 visitantes e se aproximou de uma escrivaninha antes usada para entrevistar imigrantes, impedindo o acesso de outros visitantes à atração.

"Entendemos que eles mandam aqui, mas nossos guias são orientados a evitar esse tipo de situação", disse.

Lourdes Reyes, que oferece visitas guiadas em espanhol às ilhas, também criticou a proibição. 

"É a maior atração turística da maior cidade do mundo", disse ela, "e, em vez de criarem um protocolo para resolver o problema, eles decidem proibir de uma hora para a outra todos os guias turísticos, que realmente oferecem aos visitantes uma experiência diferenciada". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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