Harley-Davidson
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Harley-Davidson busca atrair público jovem com moto elétrica

Compradores devem lidar com leque limitado, falta de infraestrutura para recarregar e preços elevados

Susan Carpenter, The New York Times

20 de agosto de 2019 | 06h00
Atualizado 20 de agosto de 2019 | 12h50

Silenciosa, brilhante. Ela não intimida. A LiveWire é a antítese de tudo o que a Harley-Davidson representava. E no entanto, é inegavelmente uma Harley. A LiveWire, o primeiro veículo elétrico produzido pela Harley, pretende redefinir um setor que não reagiu devidamente ao declínio das vendas. 

A mais conhecida e uma das mais antigas (115 anos) fabricantes de motocicletas dos Estados Unidos, a Harley quer ser “a primeira a introduzir a eletrificação neste esporte”, disse Matt Levatich, diretor executivo da companhia. A LiveWire busca um novo público, jovem, rico, urbano, e ansioso por novas tecnologias.

E está oferecendo a LiveWire em cem concessionárias dos EUA e a cem na Europa. A Harley, como a maioria de outras fabricantes de motocicletas, agora tenta reverter a acentuada queda das vendas. No ano passado, ela vendeu 132.868 motocicletas nos Estados Unidos - um recuo de 10% em comparação a 2017 e de 18% em relação a 2016.

Em termos globais, a companhia vende anualmente 228 mil motocicletas. “Durante muito tempo, concebemos as motocicletas como estes veículos abrutalhados que cuspiam fogo”, disse Harlan Flagg, fundador da Hollywood Electrics em Los Angeles. “Os motociclistas prestaram um enorme desserviço a si mesmos assustando as pessoas com estas motos que fazem um barulho ridículo, insuportáveis”. Suas primas elétricas são mais fáceis de conduzir do que os monstros a gasolina, que ganharam o apelido de javalis.

Não têm embreagem, câmbio, portanto os motociclistas não precisam de coordenação para controlá-las. Basta girarem a manopla e lá vão. Não há cano de escapamento para queimar a perna. E elas projetam uma imagem mais amistosa, mais preocupada com o meio ambiente. E praticamente sussurram. A Zero Motorcycles, sediada na Califórnia, ingressou no mercado elétrico em 2008. A Hollywood Electrics é a sua revendedora número 1 no mundo. No entanto, a loja vendeu apenas 500 destas motos nos últimos dez anos.

Outros fabricantes tradicionais, como a Honda, Yamaha e BMW, mostraram modelos conceito de motos elétricas, mas nenhuma delas está em produção. As motocicletas elétricas enfrentam em grande parte os mesmos problemas do mercado dos carros elétricos. Os compradores têm um leque muito limitado, a falta de infraestrutura para recarregar e preços elevados. Além do que, a maioria das pessoas não usa motocicletas para o transporte básico.

“Nós continuamos um tanto céticos”, disse James Hardiman, um analista da Wedbush Securities, no mês passado, lembrando o declínio das vendas da Harley. Se uma Harley a gasolina ronca, a LiveWire ronrona com o toque instantâneo que acelera de 0 a 95 quilômetros horários em apenas três segundos para chegar a velocidades máximas de 177 quilômetros horários.

A recarga pode ser feita em duas velocidades. Uma estação comum usa um cabo guardado embaixo do assento e pode efetuar a carga durante a noite. Enquanto resultados mais acelerados são possíveis com um carregador mais rápido, que vai de zero a 80% da carga em 40 minutos. “A geração do milênio está demorando para acordar, e os baby boomers estão partindo depressa demais”, afirmou Ron Bartels, diretor de uma concessionária da Califórnia. “Precisamos de um novo tipo de cliente”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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