Luke Sharrett para The New York Times
Luke Sharrett para The New York Times

Cem anos de história: capacetes evoluíram ao longo das décadas

Projetado há 100 anos como equipamento de proteção para mineiros e outros trabalhadores, objeto cresceu e se tornou símbolo de status

Murray Carpenter, The New York Times

14 de outubro de 2019 | 06h00

Em 1919, quando Edward W. Bullard acabava de regressar aos Estados Unidos depois de lutar na cavalaria na França, viu arranha-céus subindo em todo o país, e barragens e pontes em construção em toda parte. Estes projetos trouxeram uma nova vida às cidades depois da Primeira Guerra Mundial, mas também representaram novos perigos para os trabalhadores na construção que instalavam vigas, despejavam concreto e martelavam pregos.

O pai de Bullard  fabricava equipamento para mineiros, então o filho teve uma ideia: e se a sua empresa produzisse um capacete para mineiros e trabalhadores de outras áreas, semelhante ao capacete de metal que ele e outros militares, os conhecidos “doughboys” (soldados da infantaria) haviam usado no conflito?

Os Bullard fizeram um primeiro exemplar tosco, e foi assim que nasceu o capacete, que, este ano, comemora o seu 100º aniversário. Os capacetes de segurança, como as máscaras anti-gás e os guarda-chuvas, desempenharam uma função simbólica neste verão em Hong Kong, quando foram usados pela população que protestava contra a influência do governo da China na região semiautônoma.


Também se tornaram emblemas de autoridade, revelando a posição do seu proprietário. Um capacete novo brilhante sugere um novato. Mas outro, surrado, representa a experiência, como a cinta de ferramentas do carpinteiro ou as velhas botas manchadas, mas eficientes, de um madeireiro. A própria cor pode denotar status: algumas empresas exigem uma cor específica para os funcionários, outra para os empreiteiros e outra ainda para os aprendizes.

Atualmente na quinta geração da família proprietária da empresa, a Bullard ganha milhões de dólares ao ano com os seus capacetes que são vendidos a dezenas de milhares de clientes, principalmente em sua sede em Cyunthiana, Kentucky, afirma o diretor executivo, Wells Bullard.

A companhia tem até um Turtle Club, cujos associados foram salvos pelos respectivos capacetes. O seu lema é: “Shell on head, you’re not dead” (algo como, O capacete não permitiu que você morresse.) O primeiro capacete da Bullard foi batizado Hard Boiled Hat. As encomendas aumentaram nos anos 1930, quando com a construção do Golden Gate Bridge de São Francisco, os engenheiros exigiram que os trabalhadores usassem os capacetes Bullard. O design padrão evoluiu ao longo dos anos, da lona ao metal, e à fibra de vidro, e então ao plástico.

À medida que a indústria se expandiu, a empresa Bullard encontrou concorrentes, como Honeywell, Kask e 3M. A popularidade dos capacetes cresceu além da exigência quanto à segurança, tornando-se símbolo de status, afirma Beth Rosenberg, professora da Faculdade de Medicina da Tufts University em Boston.

Segundo Rosenberg, os capacetes passaram a ser associados à masculinidade e ao patriotismo. “Houve uma confluência de fatores sociais que tornaram os capacetes um complemento legal”, afirmou. Bullard disse que não produz capacetes específicos para cada gênero, mas que as mulheres constituem uma presença cada vez maior na indústria.

“O capacete na realidade não mudou muito em 100 anos. Ele tem uma suspensão e uma carapaça”, afirmou Wells Bullard, a CEO. Mas ela acrescentou que o produto está evoluindo não só na questão da proteção dos trabalhadores contra a queda de objetos, mas particularmente para a sua proteção quando o que cai do alto são operários.

No início do próximo ano, a Bullard lançará uma nova linha de capacetes revestidos de espuma e com tiras para o queixo, semelhantes aos capacetes dos escaladores. As quedas são a primeira causa de morte nos canteiros de obras, informou G. Scott Earnest do National Institute for Occupational Safety and Health.

Um relatório de 2016, mostrou que, nos EUA, mais de 2.200 trabalhadores na construção morreram de traumatismo craniano de 2003 a 2010. “Tudo o que podemos fazer para oferecer a melhor proteção aos trabalhadores na construção é importante, porque este é um setor da economia que comporta muitos perigos”, afirmou Earnest. TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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