Bryan Derballa para The New York Times
Bryan Derballa para The New York Times

Hootie & Blowfish lança novas músicas e anuncia turnê

Banda dos anos 1990 planeja lançar seu primeiro álbum de estúdio desde 2005

Jon Caramanica, The New York Times

12 de junho de 2019 | 06h00

A banda Hootie & Blowfish lembra de todos os insultos. Trent Reznor dizendo “Morte a Hootie & the Blowfish” em uma entrevista na Rolling Stone. Um executivo da gravadora da banda chamando Cracked Rear View - o álbum que iria vender milhões - " de irrelevante". "Se você tocou no Hootie, não era legal", disse Darius Rucker, vocalista da banda.

No final do ano passado, Rucker, 53 anos, e a banda - o guitarrista Mark Bryan, 52 anos; o baterista Jim (Soni) Sonefeld, 54 anos; e o baixista Dean Felber, 51 anos - se reuniram em Columbia, Carolina do Sul, onde se conheceram durante a faculdade e formaram, primeiramente, uma banda cover, para discutir os anos de desrespeito.

Lançado em julho de 1994, três meses após a morte de Kurt Cobain, Cracked Rear View se tornou um dos álbuns definidores dos anos 1990, gerando três sucessos no Top 10: Hold my hand, Let Her Cry e Only Wanna Be With You. É o 10.º álbum de maior sucesso de todos os tempos nos Estados Unidos, de acordo com a certificação da Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos.

Por cerca de 18 meses, não houve artista mais proeminente na música. A banda ganhou dois Grammys em 1996, incluindo o de melhor novo artista. Depois disso, no entanto, veio uma queda abrupta. A Hootie tornou-se, para alguns, uma taquigrafia para o rock acessível aos não intelectualizados que chegou na esteira do fim do grunge.

Desde 2010, a atividade da Hootie tem se limitado em grande parte a apresentações anuais de caridade. Mas, neste ano, a banda planeja lançar seu primeiro álbum de estúdio desde 2005, e está apenas começando uma turnê de quatro meses, marcando o 25º aniversário de Cracked Rear View.

Hootie & the Blowfish mistura o rock universitário do Sul no final dos anos 80 (dBs, R.E.M.) com tons de soul, bluegrass, blues e muito mais. "Eu acho que todos nos Estados Unidos e no mundo estavam tentando ser a próxima coisa legal, e ninguém estava realmente preocupado em apenas escrever grandes canções", disse Felber em uma sessão de gravação em março, em Nashville, Tennessee.

Nos três anos que antecederam o lançamento de Cracked Rear View, o grunge havia dominado a conversa sobre o rock americano e o rap dos gângsteres estava experimentando seu primeiro grande sucesso. O país estava em ebulição - a primeira Guerra do Golfo, os tumultos em Los Angeles, uma recessão. A música pop estava tensa. E então veio a Hootie, catapultada para o sucesso por uma aparição no Late Show with David Letterman.

Uma coisa que você percebe quando retorna agora à Cracked Rear View são as harmonias otimistas. Mas por baixo de suas letras de cura havia algo quebrado. Hold My Hand, o sucesso da banda, é uma "música de protesto", disse Rucker. “Para mim, essa música sempre foi sobre racismo”.

Os colegas de banda formaram uma ligação próxima em seus anos de faculdade, ocasionalmente tendo que lutar para sair de uma festa depois que alguém usava uma linguagem intolerante com Rucker. Rucker abriu Hold my hand com uma estrofe invocando gospel, soul e blues:

  

Com um pouco de amor e um pouco de ternura

Nós vamos andar sobre a água, vamos subir acima da bagunça

Com um pouco de paz e alguma harmonia

Nós vamos levar o mundo juntos, vamos levá-los pela mão

No Sul do Estados Unidos, essas noções de cortesia - cantadas por um homem negro em frente a uma banda branca - poderiam ser tidas como radicais. Durante a performance no programa de Letterman, Rucker cantou com uma voz que beirava a cicatriz; atrás dele, a banda o sustentava com esperança. Esse equilíbrio era a marca registrada da Hootie.

A queda aconteceu rápido. Depois de 1996, a Hootie nunca mais atingiu a Billboard Hot 100. Eventualmente, a vida na estrada causou uma implosão. Bryan, Felber e Sonefeld passaram por divórcios. Sonefeld ficou sóbrio em 2004 e, em 2008, ele disse que precisava parar de fazer turnê, colocando a Hootie em um hiato.

Na última década, Rucker se tornou uma das maiores estrelas da música country, o que não foi um choque completo, já que a Hootie forneceu um modelo para o roots-rock que ocupa um lugar de destaque perto do centro da música country contemporânea. Cracked Rear View teria que ser um disco de country hoje”, disse Rucker. Essa é uma das razões pela qual a banda não tem certeza de onde se encaixa seu próximo álbum - que será lançado em uma gravadora country, a Capitol Nashville (a mesma que cuida do trabalho solo de Rucker).

Quando a Hootie estava em Nashville, em março, gravou canções de sentimento familiar escritas por membros da banda, e também Wildfire Love, que Rucker escreveu recentemente com Ed Sheeran, e que tem as melodias leves de Sheeran com a pátina característica de Hootie. Ao colaborar com compositores para o álbum, a banda tinha uma máxima. "Não queremos que você escreva uma música Hootie", disse Rucker. "Escreva uma música e vamos fazê-la soar como a Hootie."/ TRADUÇÃO ROMINA CÁCIA

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