Laura Boushnak para The New York Times
Laura Boushnak para The New York Times

Ilha da Grécia atrai noivas chinesas para fotos antes do casamento

Governo grego, que busca mais investimentos, aprecia o aumento do número de visitantes

Jason Horowitz, The New York Times

14 de agosto de 2019 | 06h00

SANTORINI, GRÉCIA - A noiva tinha uma tiara brilhante sobre os cabelos e usava um esvoaçante vestido vermelho, o seu quinto traje do dia. O noivo vestia um smoking prateado. Mas o sol estava prestes a se pôr, e o casal ainda não tinha captado a imagem perfeita de Santorini para mostrar em seu casamento na China, no mês seguinte. 

Por isso, o fotógrafo, que vive em Xangai, levou rapidamente o casal pelos telhados brancos e os caminhos apertados no alto dos penhascos da ilha, sugerindo em chinês: “Agora repitam o pedido. Rode o vestido. Beije a mão da noiva. “Santorini é famosa na China”, disse o noivo de 29 anos, Yao Kai, depois do último clique da câmera. As fotografias antes do casamento tornaram-se um negócio de muitos bilhões de dólares na era do Instagram - particularmente para os noivos asiáticos.

Muitos casais chineses que planejam realizar cerimônias tradicionais em seu país primeiramente querem fotos profissionais na Torre Eiffel em Paris, no Big Ben em Londres, ou nas paisagens bucólicas do interior da Inglaterra. Mas as imagens do profundo azul e branco de Santorini têm um fascínio peculiar.

O governo, que busca os investimentos chineses, aprecia o aumento do número de visitantes. Luke Bellonias, um funcionário da ilha, disse que os chineses estenderam a temporada turística até o outono, quando a maioria dos europeus e americanos já voltaram para casa. “Eles adoram tirar fotos”, ele disse.

No entanto, também reconhece. “A coisa esta escapando um pouco do controle”. Para muitos casais, remunerações que já chegam a dezenas de milhares de euros são um preço válido por uma imagem que, segundo eles, expressa o verdadeiro romance e mobilidade social. 

Para os casais que não têm condições de realizar o sonho, os estúdios fotográficos de Xangai usam cenários de Santorini. “É tão importante, senão mais importante do que a aliança”, disse Olivia Martin-McGuiire, a diretora de China Love, um documentário sobre este setor.

Tirar fotografias em Santorini antes do casamento aparentemente significava o mundo para Tsuzhi Lin, de 26 anos, e a sua noiva, Yingting Huang, um jovem casal de Taiwan. “Agora ela pode se exibir para as amigas”, falou Lin recentemente. Uma manhã, eles se encontraram com os seus fotógrafos, Toto Kua, de Taiwan, e seu marido, que os levaram para Oia, a cidadezinha na ponta da ilha.

Lá, eles tiveram de abrir espaço a cotoveladas na multidão para chegar ao cenário com uma cúpula azul, mas um casal americano que posava para fotos de aniversário já havia se apoderado do lugar. Em uma igreja mais adiante, na mesma rua, o zelador mandou que saíssem porque o padre não aprovava que se tirassem fotos ali.

Com o tempo se esgotando, as coisas começaram a aparecer. O padre saiu, e o zelador da igreja os introduziu no pátio, onde o casal que fez todas as poses que desejava entre os gritos de parabéns e bênçãos de felicidade no casamento dos turistas na calçada lotada ao lado da igreja.

Depois de uma troca do guarda-roupa, os dois conseguiram finalmente as suas imagens com o domo azul como pano de fundo e pregaram uma foto do pedido de casamento no telhado. “Você quer se casar comigo?” perguntou Lin em inglês. “Diga sim”, ensinou Kuo. “Sim”, respondeu a noiva. A multidão que se aglomerava em baixo aplaudiu. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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