James Estrin/The New York Times
James Estrin/The New York Times

Ilhas são colocadas à venda após dono passar só uma noite

Ilha de Columbia e a ilha vizinha de Pea estão à venda por US$ 13 milhões

James Barron, The New York Times

25 de julho de 2019 | 06h00

Albert Sutton pagou pouco mais de US$ 1 milhão por uma coisa que muitas pessoas ricas sonham possuir: uma ilha particular. Depois, comprou uma segunda ilha, a 350 metros de distância, por US$ 450 mil. Mas as ilhas não ficam no Caribe ou no Pacífico. Estão a cinco minutos de barco do outro lado de Long Island Sound, a menos de uma hora ao norte de Manhattan. “Achei que teria grandes inspirações aqui”, contou.

A Columbia Island é uma das dezenas ao largo da costa de Nova York. Esses pedacinhos de terra têm uma inusitada sinfonia de nomes: Potato Island, Pea Island, Rat Island. “Deixar o continente por uma ilha é o sonho de todo mundo”, disse Rebecca Kinnear, editora do site Islands.com, que escreve sobre ilhas em lugares de clima mais ameno.

“Quando a gente vai para uma ilha quer fugir do mundo real e deixar tudo para trás, na esperança de encontrar palmeiras e a praia perfeita”. Quem compra uma ilha em Nova York sabe que não encontrará palmeiras. Mas a privacidade é a aspiração máxima de algumas pessoas, disse John Campbell, um corretor de imóveis que tem em sua carteira uma ilha de cinco mil metros quadrados com uma única casa, de US$ 4,9 milhões, em frente a Branford, Connecticut. “Não aparecendo piratas, é segura”, afirmou.

Sutton, um patologista que se tornou investidor imobiliário, conseguiu fazer com que sua própria ilha se parecesse mais com o filme “Um dia a casa cai” do que algo repousante e idílico. Ele conta que gastou US$ 8 milhões com as reformas, incluindo painéis solares para gerar energia elétrica, e uma unidade de dessalinização para a água potável.

Ele adquiriu uma embarcação desativada da Marinha para chegar até sua ilha e uma barcaça para transportar o material que caberia em um semi-reboque no continente. Agora, está cansado de tudo isso, e em maio colocou as duas ilhas à venda, por US$ 13 milhões. “Comecei quando tinha pouco mais de 70 anos, agora tenho 85. Não sou mais uma pessoa amante da aventura”, disse Sutton. “Isto não tem mais nada a ver com os meus sonhos ou desejos. Posso sonhar em uma poltrona.”

Originalmente, os seus sonhos não incluíam a Pea Island vizinha, mas quando ela se tornou disponível em 2015, a comprou. “Ela pode proteger o dono de um vizinho hostil ou algo parecido”, afirmou. Em Pea Island não tem nada, só árvores, e com cerca de 1,5 hectare, é pouco mais do dobro da Columbia Island. 

O tamanho exato da Columbia Island depende do momento do dia em que é medida: ela aumenta e diminui de acordo com a maré. Uma pequena praia de areia além do calçadão de quatro metros desaparece quando a maré sobe, e volta a aparecer quando baixa. O único edifício na ilha foi construído como base de uma rádio transmissora nos anos 1940. Quando Sutton ouviu falar que a ilha estava à venda, foi amor à primeira vista. “Na época, eu era presunçoso”, disse. “Já havia construído dois edifícios de apartamentos e pensei: 'Posso fazer isto’.”

Mas ser dono de uma ilha era diferente. Ele teve de arrancar todos os painéis de gesso que havia instalado no começo e substituí-los por compensado escorado no concreto, que é resistente à água. De início, plantou gafanhotos espinhosos e arbustos que iriam bem no continente, mas ali morreram por causa da maresia. Agora, ele tem amoreiras e cerejeiras japonesas.

E, embora a torre da rádio devesse ter um cabo elétrico do continente, há muito tempo desapareceu. Optou então por painéis solares, com um sistema de backup para os dias nublados - dois geradores de 50 kilowatts. Apesar de tudo isso, Sutton só passou uma noite na ilha. “Na realidade, nunca me ocorreu de passar mais tempo lá ou de aproveitá-la melhor”, ele disse. “Só me preocupei em embelezá-la e deixar que ela fosse em frente por conta própria.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Tudo o que sabemos sobre:
Nova York [Estados Unidos]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.