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Imagens de satélites podem revelar cidades egípcias e ruínas vikings

Em entrevista, arqueóloga Sarah Parcak explica como a ascensão e a queda de antigas civilizações poderiam lançar luz sobre lutas atuais

Joshua Sokol, The New York Times

16 de julho de 2019 | 06h00

Sarah Parcak, arqueóloga da Universidade de Alabama, Birmingham, correu o mundo em busca do traçado de cidades egípcias, ruínas viking e outros sítios antigos. A sua especialidade é descobrir nas imagens de satélite bons lugares para escavar antes que alguém o faça.

No livro que lançou recentemente, Archaeology From Space: How the Future Shapes Our Past, Parcak narra suas aventuras e conta como a visão do espaço revolucionou o seu campo de pesquisa. Conversei com ela pelo Skype sobre como a ascensão e a queda de antigas civilizações poderiam lançar luz sobre as nossas lutas atuais. Abaixo, estão alguns trechos da nossa conversação.

A sra. quer encontrar novas ruínas de um satélite em órbita. Como começou?

Nós passamos muito tempo lendo artigos e livros. Fracassamos desastrosamente 999 vezes em mil, porque nos atemos à ciência. Mas há uma ou duas que podem servir de indicação para algo importante.

 

O que acha que acontecerá no campo da arqueologia baseada no espaço?

Não estamos muito longe de poder usar imagens captadas por satélites com uma resolução de 3 polegadas. Imagine poder aproximar a visão do espaço e ver um pedaço de um objeto de cerâmica - estamos perto disso. A outra coisa é que já estamos passando dos satélites para os drones. Dentro de alguns anos, poderemos captar dados com uma resolução muito grande, hiperespectral, e mapear com laser desde veículos não tripulados. Isto transformará o nosso campo como aconteceu com as imagens via satélite.

A sra. faz isto há cerca de 20 anos. Encontrou alguma oposição no começo?

Claro! Eu era conhecida como “a moça dos satélites”, o que é problemático em diversos aspectos. Mas no início dos anos 2000, havia um  grupo de pessoas como eu que, de fato, começou a aplicar a tecnologia em uma escala muito maior. Acho que o trabalho que eu e vários colegas realizamos ajudou a abrir os olhos dos cientistas.

A sra. é o personagem principal dos documentários da BBC, uma pesquisadora TED e da National Geographic Explorer. Por que decidiu escrever um livro?

Se você der uma olhada nos livros da seção de arqueologia de uma livraria, verá que são livros pseudocientíficos de pessoas que afirmam que seres alienígenas construíram as pirâmides ou outras teorias do além. Esta não é arqueologia. A arqueologia é um campo incrivelmente rico que ajuda a mostrar a trajetória real da humanidade, o fato de que a nossa humanidade comum não evoluiu em 300 mil anos - mas a nossa tecnologia sim.

No livro, a sra. escreve muito sobre o declínio do Antigo Império Egípcio. Como era aquele período?

Isto foi há 4.200 anos. O Egito dependia da cheia anual do Nilo. Se você tem um padrão constante de anos e anos de inundações fracas, a certa altura isto causará um período de seca. Por outro lado, havia também o império de Pepi II, que governou por cerca de 90 anos. E uma economia que estava ficando debilitada. Por isso, havia instabilidade política, insegurança econômica - e obviamente a seca também - o que causava instabilidade social. Não houve expedições de fora, a construção de pirâmides cessou. Houve uma queda enorme da qualidade da arte. Foi como se ninguém mais quisesse ir para a universidade para aprender a desenhar.

Foi por isso que o Antigo Império entrou em decadência, por causa da instabilidade política, da insegurança econômica, da instabilidade social e da mudança climática?

É um fenômeno realmente familiar. De fato.

Os egípcios conseguiram se recuperar durante o Império Médio. Há alguma indicação que possamos extrair?

Se pudermos imaginar como fazer com que haja oportunidades econômicas mais equitativas, teremos uma chance de superar tudo isto. Naquela época, havia um poder enorme, uma riqueza enorme nas mãos do rei e de sua corte. Mas como no fim do Antigo Império o dinheiro ia para as províncias, havia mais independência econômica, artística e social. Um número maior de pessoas tinha mais acesso a um número maior de oportunidades. Por isso, acho que há uma importante lição a ser extraída. Maiores oportunidades econômicas em mais áreas regionais poderiam levar a um florescimento. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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