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Imigrantes pobres tiveram maior ascensão econômica que filhos de pais americanos

Estudo indica que "sonho americano" parece que os imigrantes pobres têm realizado esse sonho mais consistentemente do que os americanos nascidos no país

Emily Badger, The New York Times

08 de novembro de 2019 | 06h00

Imigrar para os Estados Unidos tem representado uma rota consistente para escapar da pobreza - se não para os imigrantes pobres, pelo menos para seus filhos. Uma nova pesquisa relacionando pais e filhos desde a década de 1880 mostra que filhos de imigrantes pobres nos EUA tiveram mais sucesso em ascender economicamente do que filhos de pais igualmente pobres nascidos no país. Esse padrão tem se mantido notavelmente estável há mais de um século, mesmo que as leis de imigração tenham mudado e que os países que mais enviem imigrantes aos EUA não sejam os mesmos.

Os filhos adultos de imigrantes mexicanos e dominicanos pobres que estão no país legalmente alcançam atualmente o mesmo sucesso econômico relativo do que os imigrantes vindos da Finlândia ou da Escócia um século atrás. Todos os filhos de imigrantes, nas suas respectivas eras, foram mais bem-sucedidos economicamente do que os filhos de cidadãos nascidos nos EUA. Se o sonho americano é dar uma vida melhor à próxima geração, parece que os imigrantes pobres têm realizado esse sonho mais consistentemente do que os americanos nascidos no país.

As descobertas, publicadas em um artigo escrito por uma equipe de historiadores da economia de Princeton, Stanford e da Universidade da Califórnia, em Davis, desafiam vários argumentos centrais para o debate atual envolvendo a imigração nos EUA. O governo Trump tem argumentado que o país não tem capacidade de atender famílias que dependerão de programas públicos. Mas essa pesquisa sugere que imigrantes que chegam pobres frequentemente escapam da pobreza, se não na primeira geração, na segunda.

“A perspectiva que os políticos costumam ter em relação à assimilação de imigrantes no curto prazo pode subestimar o sucesso deles no longo prazo”, afirmou Ran Abramitzky, professor da Universidade Stanford, na Califórnia, e um dos autores. “Na segunda geração, eles estão vivendo bastante bem.”

Os pares de pais e filhos são analisados em uma primeira onda, de acordo com o censo de 1880, época em que a maioria dos imigrantes vinha do Norte da Europa e da Europa Ocidental, e em uma segunda onda, no censo de 1910, quando a maioria dos imigrantes vinha do Sul da Europa e do Leste Europeu. Então, os pesquisadores seguiram essas famílias por várias décadas nos registros de censo, para ver se os filhos tinham superado seus pais - por exemplo, se tornando advogados em vez de balconistas de lojas.

Os pesquisadores descobriram que filhos de imigrantes de quase todos os países apresentavam maior mobilidade de uma geração para a outra do que filhos de americanos. E esse fenômeno continua verdadeiro atualmente. Uma explicação do motivo da aparente mobilidade econômica mais ampla dos imigrantes de segunda geração pode ser o fato de seus pais terem recebido salários artificialmente baixos.

Um advogado formado em outro país que precisa dirigir um táxi nos EUA, por exemplo, pareceria ter um ganho menor do que suas habilidades e treinamento poderiam sugerir. É provável que as barreiras em relação à língua, a discriminação e as limitações das redes de trabalho tenham contribuído para reduzir os salários dos pais imigrantes.

Outro fator que influencia a mobilidade econômica dos filhos é onde eles vivem. Imigrantes legais e ilegais tendem a se agrupar em portos de entrada estrangeiros, nas grandes cidades, em comunidades dentro das quais é mais fácil encontrar trabalho. Os lugares para onde eles se mudaram em seguida têm sido os mesmos lugares que oferecem melhores condições de mobilidade econômica para todos.

Em sua base de dados, quando os pesquisadores comparam filhos de imigrantes com filhos de americanos crescidos na mesma região, a diferença nas taxas de mobilidade desaparece. Isso sugere que o fator que distingue esses grupos de imigrantes dos cidadãos nascidos nos EUA é o lugar que escolhem para viver.

Os imigrantes encarnam a ascensão econômica que mais famílias nascidas na pobreza nos EUA deveriam experimentar se tivessem mais possibilidade e vontade de mudar de endereço. Nesse sentido, imigrantes têm uma significante vantagem em relação às famílias nascidas nos EUA. Eles não estão atrelados a gerações de laços familiares nem ao sentimento de que não podem deixar um lugar em especial, independentemente de as coisas irem bem ou mal. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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