Tara Walton para The New York Times
Tara Walton para The New York Times

Imigrantes recorrem ao esqui como forma de se tornarem autênticos canadenses

Esporte se tornou mais importante para estrangeiros do que tradições como jurar lealdade à rainha, fluência no idioma ou conhecimentos da bandeira

Dan Levin, The New York Times

11 Março 2018 | 10h00

BLUE MOUNTAINS, Ontário - Para se tornarem cidadãos canadenses, os imigrantes precisam jurar lealdade à rainha Elizabeth II, comprovar sua fluência em inglês ou francês e demonstrar que compreendem a importância simbólica da folha de bordo.

Mas o caminho que os leva a realmente sentir na pele a identidade deste país do norte é uma jornada que cada vez mais empurra os imigrantes num leve declive: a colina para iniciantes.

“No inverno, não há mais nada para fazer”, disse Mahendran Arumugam, que se mudou para o Canadá em 2014 vindo do quente estado indiano de Tamil Nadu. “Não adianta reclamar da neve, o melhor é aprender a desfrutá-la. E o esqui é uma ótima maneira de fazê-lo.”

Como outros imigrantes, Arumugam, 32 anos, que trabalha numa empresa de tecnologia da internet, estava aprendendo a esquiar no resort Blue Mountain, a cerca de 160 quilômetros ao norte de Toronto.

Na colina para iniciantes do Easy Rider, num sábado recente, os novatos tentavam absorver as instruções numa verdadeira Babel de idiomas, dobrando os joelhos cansados enquanto aprendiam a frear formando um V com os esquis. Os instrutores do Blue Mountain falam 19 idiomas.

“O esqui faz parte da vida e da cultura do Canadá", disse a imigrante indiana Rosemary Kanickaraj, 39 anos, ao concluir suas primeiras aulas de esqui. “Quem planeja ficar deve pensar em se adaptar.”

Nos anos mais recentes, quase 30% dos novos imigrantes se mudaram para a região da grande Toronto, fazendo da maior cidade do Canadá o principal destino dos recém chegados. Com isso, o Blue Mountain se tornou um lugar procurado por muitos deles que tentam aprender a esquiar.

Antes de se mudar para o Canadá, em 2015, a chinesa Xi Feng, 32 anos, só tinha esquiado duas vezes, perto de Pequim. Segurando firme os esquis, ela avançava lentamente para a colina de iniciantes para começar as aulas. Então, chegou a hora de subir a colina.

Ma Rong, 32 anos, que viera da China há apenas duas semanas, estava no precipício. Ela começou a descida, empregando uma técnica que pode ser descrita como andar num aparelho de ginástica em câmera lenta. Ganhando certa velocidade, ela quase trombou com um homem, e por vários segundos pareceu que ela conseguiria vencer o Easy Rider sem nenhum tombo. Mas, então, outra mulher causou uma colisão maior. Ma se sentou e conseguiu parar centímetros antes de chegar à pilha humana.

“É fácil", disse ela, ofegante, enquanto subia a colina. O marido dela, Gu Jun, que ajudava a filha do casal, Shun Yu, 4 anos, escorregava pela neve usando esquis menores, igualmente à vontade.

Dentro da estalagem, os feridos e exaustos se fartavam de hambúrgueres e poutine, a batata frita mergulhada em queijo derretido que nasceu em Quebec e se tornou popular em todo o Canadá.

Outros buscavam apenas algum abrigo contra o frio. Du Shan, 36 anos, desenvolvedor da web, disse que começou a esquiar pouco depois de chegar da China, quando adolescente, por insistência do pai.

Du disse, “Meu pai fazia questão que eu compreendesse a cultura do país".

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