Rajah Bose/The New York Times
O edifício Catalyst em Spokane, Wash., Lar da Eastern Washington University e o primeiro edifício comercial alto de madeira do estado.  Rajah Bose/The New York Times

O edifício Catalyst em Spokane, Wash., Lar da Eastern Washington University e o primeiro edifício comercial alto de madeira do estado.  Rajah Bose/The New York Times

Preocupação com mudança climática faz uso de madeira aumentar na construção civil

Diante dos benefícios ao meio ambiente e custos trabalhistas menores, o uso da madeira aumentou e poderá fazer concorrência ao aço e ao concreto

Keith Schneider , The New York Times - Life/Style

Atualizado

O edifício Catalyst em Spokane, Wash., Lar da Eastern Washington University e o primeiro edifício comercial alto de madeira do estado.  Rajah Bose/The New York Times

SPOKANE, WASHINGTON – Embora estabelecida em 1873 perto de algumas das mais produtivas florestas da América do Norte, Spokane raramente se concentrou em novos produtos da madeira no âmbito da construção. Mas isto começa a mudar. No centro da cidade, a Eastern Washington University agora se transferiu para o Catalyst Building, um edifício de cinco andares, com 14 mil metros quadrados, o primeiro prédio alto construído inteiramente de madeira no Estado de Washington.

A luz do Sol atravessa as amplas janelas do edifício que custou US$ 40 milhões e ilumina as vigas de madeira, o piso laminado e os painéis do teto. Erigido pela construtora Katerra, sediada em Menlo Park, Califórnia, ele é o mais recente dos 384 prédios de “madeira laminada cruzada” nos Estados Unidos.

O primeiro foi construído em Montana em 2011 e, segundo dados do setor, outros 500 estão em fase de construção ou planejamento. As lâminas de madeira cruzada usadas no Catalyst Building foram manufaturadas na planta automatizada da Katerra nos arredores da cidade. A fábrica de US$ 150 milhões é a mais nova e a maior das nove nos Estados Unidos que produzem laminados de madeira e outras três estão em desenvolvimento.

Tanto o prédio como a fábrica estão na vanguarda de um mercado dedicado à construção de edifícios altos usando blocos, vigas e colunas de madeira laminada, um setor que vem crescendo rapidamente. As construtoras vêm preferindo a madeira por causa da sua versatilidade e sustentabilidade.

Empresas famosas como Google, Microsoft e Walmart já manifestaram seu apoio a um recurso renovável que, segundo alguns especialistas, pode rivalizar com o aço e o cimento como materiais privilegiados para a construção. “Estamos fazendo um enorme progresso nos Estados Unidos”, disse Michael Green, arquiteto da Katerra que tem seu escritório em Vancouver, Columbia Britânica, e foi o responsável pelo projeto do Catalyst Building e outros edifícios na América do Norte.

A madeira tem várias vantagens em comparação com outros materiais usados na construção, incluindo o fato de que ajuda no combate às mudanças climáticas, disse o arquiteto. O aço e o cimento geram gases com efeito estufa durante cada fase da sua produção. A madeira, ao contrário, armazena o carbono, contrabalançando a emissão daqueles gases.

“Só os aspectos ambientais já são um atrativo. Os painéis de madeira laminada cruzada são mais rápidos para montar. Há muito menos desperdício no canteiro de obra”. A Katerra se apresenta como uma empresa de tecnologia do Vale do Silício comprometida a projetar, manufaturar e construir edifícios mais ecológicos; ela opera uma segunda planta nos Estados Unidos e duas na Índia. A empresa reportou uma receita de US$ 1,7 bilhão no ano passado e encomendas num total de US$ 4 bilhões, segundo os executivos da companhia.

O pinheiro amarelo do sul, que cresce nas florestas de Arkansas e é cortado por madeireiras locais, é transformado em placas, vigas e colunas de madeira laminada cruzada pela fábrica canadense Structurlam Mass Timber Corporation, numa planta de cerca de 27 mil metros quadrados em Conway, Arkansas pertencente a Structurlam, com 130 empregados. Outro promotor importante é a empresa de administração e incorporação e investimento imobiliário Hines, com sede em Houston.

Há quatro anos a companhia inaugurou um prédio de escritórios de 7 andares e 20 mil metros quadrados construído com blocos de madeira laminada cruzada em Minneapolis. A estrutura custou US$ 60 milhões, 5% a 10% mais do que um edifício construído com aço e concreto. Mas a facilidade e rapidez de levantar e ajustar as peças manufaturadas no local resultaram numa economia de dinheiro e mão de obra, disse Steve Luthman, diretor administrativo da Hines.

Além da economia de mão de obra, os locatários foram atraídos pelas superfícies de madeira nos espaços de trabalho. Hines vendeu o prédio em 2018 a US$ 392 o metro quadrado, o que foi considerado um valor recorde. Desde então, ela construiu outro edifício similar para escritórios em Atlanta.

E está subindo em Toronto um dos três que planeja erguer na cidade. Além disto, tem prédios em vários estágios de projeto e desenvolvimento usando madeira laminada cruzada em Denver, Tennessee e na área de Raleigh-Durham, na Carolina do Norte. Mas à medida que o mercado cresce, também aumentam as preocupações com a segurança. Um dos maiores críticos tem sido o setor de concreto pré-misturado que produz anualmente 307 milhões de metros cúbicos de concreto nos Estados Unidos para a construção civil, ou 83% dos projetos totais.

Temendo que a madeira ocupe o lugar do concreto, a associação nacional do setor criou um grupo de defesa, chamado Build with Strength, que defende que os edifícios de madeira não são seguros. “Não aprendemos o que é a densidade aumentada com uma construção com material inflamável?”, indagou Gregg Lewis, vice-presidente executivo da National Ready Mixed Concrete Association.

“Já vimos o que ocorreu quando construímos cidades com madeira”. Para contestar as alegações de que esses prédios de madeira não são seguros, as incorporadoras financiaram estudos científicos e colaboraram com grupos de pesquisa em universidades para mostrar que os enormes blocos de madeira e as vigas que os suportam desafiam o fogo e reagem bem no caso de terremotos. E contestam também acusações de que as construções em madeira ameaçam as florestas.

Os engenheiros da Katerra afirmam que o diâmetro médio das árvores usadas para os painéis é de 12 polegadas, o que significa que são aquelas que, segundo os silvicultores, precisam ser derrubadas para controlar os incêndios. Os ambientalistas também mostram despreocupação com a ideia.

Os Estados Unidos possuem milhões de hectares de floresta e árvores nativas não são usadas para produção dos painéis laminados. Parte da madeira na planta da Katerra, em Spokane, é laminada a cerca de 170 quilômetros em Lewinston, Idaho, pelo Idaho Forest Group, um dos maiores compradores de árvores de florestas nacionais. A empresa regulamente participa de negociações com o Serviço Florestal dos Estados Unidos, grupos ambientalistas e governos locais para estabelecer os limites no número de árvores que podem ser derrubadas, protegendo a floresta nativa e a vida selvagem.

Há madeira mais do que suficiente nas florestas nacionais de Idaho para atender a demanda, disse Brad Smith, diretor da Idaho Conservation League. “Estamos dentro do limite estipulado para essa floresta e outras florestas nacionais”, afirmou. “Se as madeireiras e serrarias se mantiverem abaixo desse limite, podem continuar a fornecer madeira para construção de prédios com laminados de madeira ou qualquer outra coisa que desejarem”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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