Ulet Ifansasti/Getty Images
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Incêndios geram problemas respiratórios para quase um milhão de indonésios

Segundo as autoridades, cerca de 80% dos incêndios foram provocados para dar lugar a plantações de palma

Richard C. Paddock e Muktita Suhartono, The New York Times

28 de setembro de 2019 | 06h00

JACARTA, INDONÉSIA - O Brasil chamou a atenção do mundo por causa dos incêndios propositais que arrasam a floresta da Amazônia. Agora, a Indonésia também preocupa com o fogo ateado para limpar a terra do outro lado do planeta. Centenas de incêndios florestais queimavam em Bornéu e Sumatra, na Indonésia, em meados de setembro, produzindo nuvens de fumaça que comprometeram as viagens aéreas, obrigaram a fechar escolas e afetaram a saúde de milhares de pessoas. Bombeiros mal equipados não conseguiram controlá-los.

Segundo as autoridades, cerca de 80% dos incêndios foram provocados para dar lugar a plantações de palma; o óleo de palma é um produto lucrativo e levou ao desmatamento de grande parte de Sumatra. Conflagrações em que à derrubada se segue a queima das árvores em florestas sensíveis, foram comparadas aos incêndios na bacia do Amazonas onde destruíram 800 mil hectares.

“É desse modo que eles limpam a terra, usando o método mais barato com a ação de muitas pessoas”, explicou Agus Wibowo, um porta-voz da agência de gestão de desastres da Indonésia. Os incêndios intensificam a mudança climática lançando na atmosfera dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa, e destruindo as árvores e a vegetação que retiram estas emissões do ar.

Fotografias aéreas mostraram enormes nuvens de fumaça branca espalhando-se sobre vastas áreas  de Kalimantan, a parte indonésia de Bornéu. Tanto Bornéu quanto Sumatra são o habitat dos orangotangos, espécie ameaçada de extinção. A agência de gestão de desastres identificou 2,9 mil pontos de incêndio. Os fogos ocorrem anualmente nesta época do ano, a estação seca, e há muito tempo constituem uma questão contenciosa entre a Indonésia e os seus vizinhos, porque a fumaça se espalha sobre Cingapura e a Malásia.

Os deste ano são os piores dos últimos anos. O presidente da Indonésia, Joko Widodo, visitou Sumatra e disse que o governo tenta induzir a chuva desta maneira. Ele acrescentou que rezaria pedindo chuva. E apelou para os moradores não acenderem fogos e apagarem os incêndios imediatamente.

Joko informou ainda que foram enviados 52 aviões de combate ao fogo para as zonas atingidas em Kalimantan e Sumatra. “Estamos lidando com florestas imensas e turfeiras enormes”, afirmou. “Com incêndios destas dimensões, a tarefa não é fácil. Portanto, peço a todos, a todas as pessoas, que não queimem a terra, tanto as florestas quanto as turfeiras”.

O chefe de gabinete do presidente, o general Moeldoko, da reserva, provocou controvérsias com uma mensagem no Twitter em que afirmou que os incêndios eram uma provação enviada por Deus. ”Todos os desastres vêm de Deus”, ele escreveu. “E nós não devemos nos queixar, mas tentar conviver com isto e pedir a ajuda de Deus”. Posteriormente, ele se desculpou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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