GRACIA LAM/THE NEW YORK TIMES
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Incômoda para os jovens, acne cobra seu preço também entre adultos

Pesquisa com 1.013 americanos apontou que 35% das mulheres e 20% dos homens têm problemas com espinhas depois dos 30 – e mesmo depois dos 50 há quem ainda lute contra elas

Jane E. Brody, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2021 | 05h00

Não importa o quanto afirmemos valorizar o interior das pessoas em vez de sua aparência externa, o que vemos ao encontrar alguém pela primeira vez pode influenciar nossa avaliação de seu valor. Pelo menos, é isso que temem muitos adultos com espinhas – o que os leva a evitar encontros sociais ou profissionais, para que elas não provoquem má impressão ou mesmo rejeição.

A acne é geralmente considerada um problema de adolescência. No entanto, segundo uma pesquisa feita em 2008 com 1.013 adultos com 20 anos ou mais, 35% das mulheres e 20% dos homens disseram ter problemas com a acne facial na casa dos 30 anos. Mesmo entre aqueles com 50 anos ou mais, 15% das mulheres e 7% dos homens disseram que ainda lutam contra ela. E especialistas dizem que a acne virou um problema cada vez maior entre mulheres adultas nos últimos anos.

Em alguns casos, os problemas que começaram na adolescência continuaram um bom tempo depois, mas em outros a acne apareceu na idade adulta. “Como é mais incomum, a acne adulta isola mais socialmente do que a adolescente e pode ter um grande impacto na vida da pessoa”, disse o dr. John S. Barbieri, especialista em acne do Hospital Brigham and Women’s, em Boston

Natalie Kretzing, estudante de Medicina de 27 anos na Filadélfia, teve acne moderada quando jovem, que se tornou cística severa por volta dos 22. “Eu queria ser respeitada como profissional, mas minha acne fazia com que não me sentisse uma adulta. Gastava tanto tempo com maquiagem que era exaustivo, e muitas vezes eu acabava cancelando planos.”

DIETAS. Embora possa parecer um problema superficial, a acne é um distúrbio complexo que resulta de uma interação entre vários componentes da pele e os hormônios. As lesões ocorrem quando os folículos capilares da pele ficam obstruídos com óleo e células mortas que, juntos, fornecem forragem para as bactérias. Um desequilíbrio de hormônios e estresse emocional podem piorar o problema.

A alimentação sempre foi culpada, e agora há evidências crescentes de que as dietas modernas podem de fato influenciar a incidência e gravidade da acne, relatou Barbieri. Embora algumas pessoas reajam negativamente a um determinado alimento, geralmente há uma associação com o consumo de leite e alimentos ricos em açúcares e amidos refinados. Esses alimentos aumentam a insulina e o fator de crescimento semelhante à insulina, hormônios que podem estimular o desenvolvimento da acne.

Em um estudo com 50 mulheres adultas com acne de moderada a severa, publicado recentemente no JAMA Dermatology, Barbieri e seus colegas revelaram o preço que ela pode ter sobre o bem-estar mental e emocional. As mulheres relataram depressão, ansiedade e isolamento social. Como Kretzing, elas se sentiam menos confiantes no trabalho e na vida afetiva. 

As lesões não precisam ser extensas ou graves para que a acne seja incômoda. “Alguém com apenas duas ou três espinhas pode ficar muito perturbado”, disse a dra. Emmy Graber, presidente do Instituto de Dermatologia de Boston.

TRATAMENTOS.A maioria das pessoas com acne tenta tratá-la primeiro com produtos comprados no balcão, como retinóides tópicos, muito úteis para surtos leves e esporádicos – e que podem tornar a pele mais suscetível a queimaduras solares.

Casos mais graves podem exigir uma combinação de produtos de balcão e tratamento oral com prescrição médica, como Accutane (isotretinoína), um derivado da vitamina A que reduz a quantidade de óleos liberados pelas glândulas da pele. Como os retinóides podem causar defeitos congênitos graves, as mulheres que usam Accutane devem tomar cuidado para não engravidar.

Mais recentemente, para mulheres com acne relacionada aos hormônios, os antibióticos de longo prazo foram substituídos pela espironolactona, medicamento oral que exige prescrição médica. Ela provou ser eficaz para mulheres como Kretzing, que não se preocupa mais com a forma com a qual as pessoas a veem. “Fez uma grande diferença na minha atitude”, ela disse, “estou mais despreocupada, espontânea e confiante”./TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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