Eva O’Leary para The New York Times
Eva O’Leary para The New York Times

Influenciador digital de 15 anos sofre com bloqueio de conta

Seus pais querem que ele se envolva com a vida offline. Mas ele ama a internet

Taylor Lorenz, The New York Times

18 de dezembro de 2019 | 06h00

Durante anos, Rowan Winch não era nada se não estivesse online. Todos os dias, seu alarme disparava às 6 da manhã e ele pulava da cama, pegava seu iPhone e começava a procurar memes - imagens e vídeos virais - para compartilhar no Instagram. Ele repostava várias coisas em suas redes sociais antes de tomar banho. Depois, ele continuava pesquisando e postando, até a hora de embarcar no ônibus para a escola.

No caminho para sua escola, no subúrbio da Pensilvânia, Rowan, 15 anos, navegava pela Internet em busca de conteúdo. Entre as aulas, no almoço, enquanto fazia as lições, ele mantinha seu império nas redes sociais funcionando com novos memes. O objetivo de Rowan, na época, eram 100 postagens por dia.

Quando chegava em casa, Rowan ficava sentado em frente ao laptop por horas ou se jogava na cama com o telefone pairando sobre o rosto. Sua conta mais popular no Instagram, @Zuccccccccccc, que remetia ao nome do presidente-executivo do Facebook, tinha 1,2 milhão de seguidores.

Rowan, como a maioria dos adolescentes na internet, não estava atrás de fama ou dinheiro, embora em um momento ele tenha chegado a ganhar US$ 10 mil por mês, afirmou. O que ele queria era ser um influenciador. Na internet, um influenciador pode conseguir praticamente qualquer coisa. Isso significa aproveitar enquanto se é jovem e, quem sabe, abrir portas para o futuro. Oportunidades de trabalho e estágios aparecem em seu caminho. Seu status entre aqueles de sua faixa etária só aumentava, assim como seu saldo bancário.

Rowan vendeu principalmente anúncios em seu Instagram para outros adolescentes que buscavam promover suas próprias páginas, aplicativos ou lojas online. Ele negociou acordos e publicou cerca de 10 anúncios por dia - alguns sob a forma de comentários, links e imagens - em suas várias contas. Os lucros sustentavam seu estilo de vida: ele comprou tênis Saint Laurent, um iPhone XR e uma carteira Gucci. E planejava comprar um Tesla no próximo ano.

Rowan começou a fazer sucesso na internet cedo. Durante o Ensino Fundamental, ele encomendava adesivos na Amazon e, então, os vendia para seus colegas de classe depois de anunciá-los no Snapchat. Quando chegou ao Ensino Médio, ele havia entrado no mercado de revenda de roupas de grife. Comprava roupas em sites como Letgo e Craigslist e depois revendia em um aplicativo para consignar itens de luxo.

Rowan se tornou uma figura popular online. Ele fundou seu próprio servidor, Discord, com mais de 33,6 mil membros, quase todos com idades entre 14 e 18 anos. (Discord é um aplicativo que funciona como rede social e interface de bate-papo que é popular entre jogadores e celebridades da Internet.) Alguns artistas de destaque passaram a segui-lo no Instagram. Ski Mask the Slump God, um rapper do SoundCloud, o convidou para os bastidores de seu show. E Rowan também conheceu sua namorada no Instagram.

Mas em 26 de julho, Rowan recebeu uma notificação: sua conta @Zuccccccccccc havia sido desativada. Ele pensou que fosse um engano. Não era. O Instagram havia desabilitado dezenas de páginas de memes que eram populares. (De acordo com um porta-voz do Instagram, a conta de Rowan foi removida por violar políticas da rede social.)

"Muitos dos meus amigos pensam que fiquei deprimido, e não acho que estejam errados", disse Rowan, meses depois, acrescentando: "Com o @Zuccccccccccc, parecia que eu tinha um objetivo e estava fazendo algo que beneficiava muitas pessoas, e agora eu meio que me sinto perdido.”

Sua mãe, Naomi, que uma vez ficou tão chateada com o uso excessivo do celular pelo filho que jogou o objeto pela janela do carro, disse: "Ele não está em um estado saudável". Seus pais querem que ele se envolva com a vida offline. "Qualquer atividade extracurricular ou atividade física que não seja vender algo na internet", disse Winch.

Mas ele ama a internet. Ele criou um servidor para o Discord com mais de 200 adolescentes cujas contas que publicavam memes foram desativadas. Também criou um podcast e ainda mantém as postagens de sua conta pessoal do Instagram, com 60 mil seguidores, e duas outras páginas de meme, com 120 mil seguidores e 197 mil seguidores. Mas a identidade de Rowan estava tão entrelaçada com a @Zuccccccccccc, que ele ainda está tentando descobrir quem ele é sem ela.

Ultimamente, ele tem pensado em se tornar um youtuber. Ele postou quatro vídeos de 20 minutos em seu canal até agora. "Minha maior dificuldade é ter ideias sobre o que falar", disse ele. Até agora, ele abordou o Instagram e a saúde mental e recebeu respostas positivas. O que ele mais sente falta de quando tinha a conta @Zuccccccccccc é a sensação de ajudar os outros.

A mãe dele disse que, quando ela tentava restringir o uso do telefone de Rowan, seus seguidores enviavam DMs protestando. "Recebi todas essas mensagens de crianças dizendo: 'Você não pode proibi-lo de ficar online, ele é o motivo de eu não me matar na semana passada, ele me ajuda a rir todos os dias'", disse Winch. "Pensei: 'Oh meu Deus, isso é muita responsabilidade e é um pouco assustador. Mas fiquei feliz por ele ter conseguido se conectar com crianças."

Seus seguidores não o abandonaram. Ele quer continuar por causa deles também. Porque no final das contas, o trabalho dele não é sobre piadas, dinheiro ou influência. É sobre conectar. "Isso me fez entender muito mais as pessoas", disse Rowan sobre sua conta de memes. "Isso me deixou muito mais exposto ao que está acontecendo no mundo". TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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