Eagle Rock Films
Eagle Rock Films

INXS volta aos holofotes com filmes sobre a banda

Um show remasterizado e um novo documentário reposicionam a banda australiana para a era digital

Kristi York Wooten, The New York Times

18 de dezembro de 2019 | 06h00

Nas cenas de abertura da gravação do show da banda, Live Baby Live, o INXS faz o público explodir com Guns in the Sky, um hino antinuclear do álbum de 1987, que recebeu certificado de platina seis vezes, Kick. Enquanto as batidas reverberam pelo antigo estádio de Wembley, em Londres, o apelo da banda de rock australiana ganha vida: sons de guitarra, saxofones, calças justas e a performance vocal do cantor Michael Hutchence.

A gravação, capturada durante o show da banda em julho de 1991, diante de quase 74 mil pessoas, foi totalmente restaurada a partir de seu original de 35 milímetros e está sendo exibida nos cinemas do mundo todo em 4K Ultra HD. Ela será seguida, a partir de 7 de janeiro, por Mystify, um documentário biográfico sobre Hutchence, dirigido por Richard Lowenstein. Este é um raro momento de visibilidade para uma banda que alcançou o estrelato, mas esteve ausente na era digital.

"Pode parecer absurdo, mas espero que jovens músicos vejam o filme e digam: 'Vamos ser diferentes. Vamos ser assim ", disse Tim Farriss, um dos fundadores da banda e seu guitarrista, sobre Live Baby Live. O INXS - que incluía os irmãos de Tim Farriss, Andrew (teclados) e Jon (bateria), junto com Kirk Pengilly (guitarra, saxofone), Garry Gary Beers (baixo) e Hutchence - começou como Farriss Brothers em 1977. 

O INXS estourou no Estados Unidos em 1983 com um videoclipe na MTV para The One Thing. A banda seguiu com os hits de sucessos: What You Need, Need You Tonight, New Sensation, Suicide Blonde e Beautiful Girl. Mas sua popularidade começou a diminuir na época do álbum de 1993, Full Moon, Dirty Hearts, e em 1997, Hutchence se enforcou em Sydney. Ele tinha 37 anos.

A banda entrou em hiato e voltou com uma série de cantores convidados. Em 2005, ela procurou um novo vocalista em um reality show americano, Rock Star: INXS, que teve como vencedor, J. D. Fortune, que seguiu com a banda até 2011. Mas em 2012, o INXS anunciou que iria parar de fazer turnês.

Live Baby Live captura o INXS no seu auge. Já Mystify, mostra o círculo íntimo de Hutchence (Bono do U2, Kylie Minogue e a modelo Helena Christensen são alguns dos entrevistados). O documentário abafa, mas nunca tira do ar as especulações sobre por que o cantor se enforcou.

A influência de Hutchence em outros vocalistas do rock foi profunda: "Bono e eu tiramos muito dele", disse Michael Stipe, do R.E.M. “Como artista, meu Deus, ele não era igual a nenhum. Não muito diferente de ver Elvis Presley no seu melhor.” Durante um show em novembro, em Sydney, Bono chamou Hutchence de “uma beleza verdadeira”.

Mas sua morte aconteceu em um momento de transição para a indústria da música: justo antes da ascensão do Napster e uma "década perdida" de vendas de músicas até os serviços de streaming, que restauraram a ideia de que a música não era gratuita, ultrapassarem os downloads.

O cantor Ben Harper, que gravou músicas para o álbum de 2010 do INXS, Original Sin, acredita que ainda há tempo para a banda ser descoberta. "A música não vai a lugar algum, estará aqui enquanto os humanos permitirem", disse ele. “O INXS se destaca, porque nem todas as bandas da década de 1980 tinham essa sensibilidade pop com uma verdadeira pegada de rock.” / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Tudo o que sabemos sobre:
Inxs

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.