Aaron Jamieson/Niseko Hanazono Resorts
Aaron Jamieson/Niseko Hanazono Resorts

Atraídos por sua profunda neve em pó, investidores se voltam para uma montanha japonesa

Construtoras levantam prédios de apartamentos em meio a 15 metros de neve

Tim Hornyak, The New York Times

10 de janeiro de 2020 | 06h00

Reiko Suzuki levava uma vida maravilhosa em todos os aspectos. Tinha morado nos Estados Unidos, tinha um sólido emprego em uma importante companhia japonesa, um marido e dois filhos, e adorava esquiar com a família todos os invernos. Mas a certa altura, começou a ficar obcecada por uma montanha.

Três anos atrás, ela passou em frente a um terreno à venda no resort de esqui de Niseko com a vista do Monte Yotei, um vulcão na ilha de Hokkaido. E na hora decidiu comprá-lo.

“Quando vi o Monte Yotei, me senti como se tivesse sido atingida por um raio”, contou Suzuki, 45. “Ele me chamou. Houve uma conexão espiritual entre nós que me deu arrepios”.

O Monte Niseko Annupuri recebe em média 15 metros de neve ao ano que produz um pó profundo, fofo, sem rivais nesta parte do planeta.

Aproveitando a alta do turismo no Japão nesta época, investidores de Hong Kong, da China, Cingapura e outros países da Ásia associaram-se a financistas japoneses e australianos com o projeto de transformar Niseko em um importante resort global de esportes de inverno. O boom de Niseko está animando o mercado imobiliário japonês, que dá sinais de vida depois do colapso da bolha do setor, em 1991. Em 2018, os preços dos terrenos na cidade de Kutchan, próxima de Niseko, registraram o maior aumento do Japão.

A companhia SC Global Developments sediada em Cingapura pretende erguer um complexo de 190 unidades em Kutchan’s Hirafu, a área de esquis mais frequentada. Seus apartamentos variam de estúdios a unidades de quatro quartos por um valor que varia de cerca de US$ 480 mil até mais de US$ 3 milhões. A primeira fase a ser concluída, cerca de 20% do total, esgotou totalmente.

Nos anos 1960, foi inaugurado o primeiro teleférico para esquiadores no Monte Niseko Annupuri. Os australianos começaram a gravitar na direção de Niseko, atraídos pela qualidade da sua neve. Em 2003, incorporadoras australianas e japonesas construíram um complexo de apartamentos de quatro unidades nas encostas do Hirafu, o primeiro do gênero.

“Naquela época, o que havia aqui eram em geral velhas pensões, e grupos de esquiadores japoneses vinham em pacotes de viagens”, contou Minoru Okubo, um dos construtores.

Um dos maiores projetos desta área fica do outro lado da montanha. Nas encostas do resort de esquis Hanazono está o Park Hyatt Niseko, de US$ 500 milhões, com 100 quartos e 114 apartamentos. Sua inauguração está prevista para este mês.

Hanazono mudou muito desde que uma companhia do empresário australiano Colin Hackworth a adquiriu em  2004, juntamente com 60 hectares.

“O governo chinês determinou que até as Olimpíadas de Inverno de Pequim de 2022, a China cresça  de 15 milhões de praticantes dos esportes na neve para 300 milhões”, disse Hackworth, diretor de operações de Hanazono. “À medida que eles viajarem, provavelmente procurarão o lugar mais próximo que tem uma neve maravilhosa - o Japão, e quem sabe Niseko”.

O prefeito de Niseko, Kenya Katayama, quer que a sua comunidade dê prioridade à preservação e não ao lucro. “Nós queremos proteger nosso belo ambiente”, afirmou.

Quanto a Reiko Suzuki, ela disse que espera que a cidade encontre um equilíbrio que a ajude a manter o seu encanto.

“Acredito que a liberdade pode ser encontrada nesta natureza, e não em ficar trocando de trens em Tóquio pela manhã”, afirmou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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