Mason Trinca/The New York Times
Mason Trinca/The New York Times
Bailey Berg/The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 05h00

Dan Jones está criando uma floresta tropical em seu apartamento em Newcastle-upon-Tyne, na Inglaterra. Embora tenha mais de uma dúzia de plantas com textura, tamanho, aparência e cores variadas, a floresta tropical está perfeitamente aninhada em um frasco de vidro de 15 litros.

Em setembro de 2019, Jones, que é profissional de relações públicas digitais, começou a criar terrários e a registrar o processo em seu blog, o Terrarium Tribe, como uma forma de exercitar suas habilidades com plantas em um espaço limitado. Quando a pandemia começou, o hobby se tornou uma forma de ocupar o tempo em casa. "Os terrários são atraentes porque ficam entre a jardinagem, a arte, o artesanato e a ciência. São literalmente arte viva", disse Jones, 31 anos.

Embora Jones agora seja capaz de criar um terrário verdejante, sua jornada consistiu em muitas tentativas e erros e em mais de um funeral vegetal. Segundo ele, nos primeiros sete meses "praticamente ninguém" entrava no blog, mas poucos dias depois do início do lockdown, em março de 2020, o site começou a receber milhares de cliques diários e, desde então, tem cerca de 50 mil visitantes únicos por mês.

O terrário é o sucessor da Caixa de Ward, originalmente desenvolvida no início do século XIX e batizada em homenagem a Nathaniel Ward, o botânico inglês que percebeu que, se bem vedado, o vaso é capaz de gerar um ciclo da água em pequena escala. A descoberta tornou possível garantir que a flora transportada de barco pelo mundo chegasse viva a seu destino.

Os viveiros fechados fizeram sucesso como objeto de decoração pela primeira vez entre os vitorianos, tiveram um renascimento na década de 1970 e viram novas ondas de interesse nos últimos anos, em parte porque ficam bem em plataformas de redes sociais como o Instagram e o Pinterest.

A popularidade dos terrários está em alta há vários anos, mas Andrea Metzler, proprietária da Art Terrarium, em Des Moines, estima um aumento de pelo menos 50% nas vendas de terrários desde março de 2020, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Embora a Art Terrarium tenha funcionado apenas com entregas agendadas no último semestre, abril e maio de 2020 foram os meses de maior faturamento em quase quatro anos de história do negócio.

Sean Ade, proprietário da Roosevelt's Terrariums em Portland, no Oregon, credita ao impulso criativo causado pela pandemia o aumento das vendas de materiais para fazer terrários em casa. Para esses clientes, Ade embala plantas e musgos que coabitam bem com solo, pedras e carvão ativado, e envia o link a um tutorial on-line que ensina a fazer a montagem. Mas a forma como o terrário é projetado, que tipo de vidro é usado e quais detalhes são adicionados (variando de pedaços de madeira a cristais e miniaturas de dinossauros), tudo depende da criatividade do cliente.

Ade acha que a popularidade recente se deve, em parte, à capacidade de criar algo que é protegido e confiável nestes tempos tão incertos: "Acho que o motivo pelo qual a bricolagem decolou nos últimos tempos é que as pessoas gostam de ter uma atividade ou experiência que possam controlar".

Stephen Hill, gerente geral da Sprout Home, em Chicago, ecoou esse sentimento, dizendo: "Você projeta e comanda esse pequeno mundo, você é o criador, o paisagista ou o que preferir. O céu é o limite".

Outro atrativo é a relativa facilidade de manutenção de terrários em comparação com plantas domésticas tradicionais. Enquanto a água usada em vasos de plantas se evapora, exigindo regas frequentes, os terrários são diferentes porque se trata de ecossistemas autossustentáveis. Como Jones observa em seu blog, os terrários são projetados para "replicar todos os ciclos naturais necessários para uma comunidade próspera de organismos", sem muita influência humana externa.

Se o recipiente estiver completamente selado, a água se evapora e fica presa na lateral do vidro. Por fim, a condensação fica pesada e volta para as plantas, criando uma chuva interna. No entanto, esse sistema só consegue se manter em recipientes estritamente herméticos. (Nos últimos anos, passou-se a chamar de "terrário" qualquer pote de vidro que contenha plantas, embora tecnicamente os globos abertos e os vasos rasos de vidro que dominam lojas virtuais como o Etsy sejam mais um objeto com visual atraente do que uma ferramenta para manter as plantas vivas.)

Dependendo de quão bem selado estiver o vaso e de quanta luz solar ele receber, as plantas podem sobreviver em qualquer lugar entre dois meses e um ano sem água adicional, de acordo com Jones e Ade. Mas, como observa Hill, embora os terrários forneçam um ambiente mais tolerante para as plantas, elas ainda precisam de luz natural e de certo know-how, como qualquer outra planta.

"Ecossistemas de terrários realmente podem ir longe se você equilibrar tudo perfeitamente. Existem terrários por aí que estão lacrados há mais de 50 anos e continuam crescendo firmes e fortes", concluiu Jones.

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