(Natália Mantini para The New York Times)
(Natália Mantini para The New York Times)

Jennifer Lopez consolida seu império bilionário

J. Lo superou baixa autoestima para comandar seus negócios com sucesso

Melena Ryzik, The New York Times

07 Novembro 2018 | 06h00

LOS ANGELES - Deveria ser o dia de folga de Jennifer Lopez. No entanto, a atriz, produtora e especialista em promoção da marca já realizou do começo da manhã ao pôr do sol meia dúzia de reuniões de negócios aqui, em sua casa. Estiveram presentes um diretor de estúdio, alguns criadores, pessoal de marketing, seu sócio na produção de TV e de filmes, seu agente e Alex Rodriguez, o namorado.

Quando ela se mudou para cá, há dois anos, quis um escritório como uma sala de reuniões completa, com uma grande mesa de conferências. É ali que ela apresenta suas ideias fora do comum, e as vende: é J Lo Inc. em ação. E agora, ela estava discutindo como o seu filme mais recente, “Second Act”, se enquadra perfeitamente em sua nova estratégia empresarial.

E Jennifer Lopez, 49, concluiu recentemente que J. Lo - a atriz, a marca, o rosto jovem e fresco, e um físico sarado - é ainda mais valiosa do que o valor que a indústria do entretenimento lhe atribui. 

Ela não vai exatamente atrás de cheques polpudos, - apesar do que diz o backing vocal do seu recente single com Cardi B e o DJ Khaled: “Yo quiero dinero”. Mas como muitas pessoas que sofreram na pele a desigualdade de Hollywood, o que ela exige agora é o que considera justo. “Eu quero o que eu mereço”, ela disse.

Nos últimos anos, ela trabalhou com afinco em sua trajetória. “Compreender o meu próprio valor e mérito como pessoa fez com que eu o compreendesse de maneira diferente no meu trabalho também”.

O fato de agora Jennifer discutir abertamente capital privado como outras atrizes discutem a criação de um personagem talvez seja devido a Alex Rodriguez, 43.

O jogador de beisebol da equipe dos New York Yankee, atualmente comentarista, é um investidor com uma carteira considerável de imóveis - A-Rod Inc. Eles namoram há um ano e meio. “Ele abriu a nossa visão para outras maneiras de fazer negócios", afirmou.

Jennifer, devota seguidora da autora de livros motivacionais Louise Hay, acredita profundamente no poder das afirmações diárias. Com estreia marcada para 1º de dezembro, “Second Act”, filme do qual é a protagonista e que produziu com sua companhia, a Nuyorican Productions, baseia-se em uma máxima da autoajuda: “A única coisa que pode deter você é você mesma”.

Ela faz o papel de Maya de la Vargas, 40 anos, uma assistente da gerência em uma loja de departamentos de Nova York, cuja vida não transcorreu como ela imaginava e que agora sonha com melhores oportunidades. A história mostra a visão de mundo de Jennifer, segundo a qual a situação pessoal no início da vida não precisa necessariamente determinar o seu futuro, e sim sua atitude. 

Ninguém apostava que a bailarina que começou como Fly Girl em “In Living Color”, em 1991, se tornaria uma potência do entretenimento em Hollywood e uma magnata do varejo.

“Ela é mestra em arrebentar a palavra ‘não’”, disse Alex.

Nos últimos vinte anos, afirmou, ela vendeu bilhões de dólares de bens de consumo, com cerca de 2 bilhões de dólares de faturamento bruto somente em fragrâncias. “Ela tem mais de 150 milhões de seguidores na mídia social, e mais de 75% deles são millenials”, prosseguiu. “Ela é capaz de ver depois da esquina e de conectar-se com as massas de uma maneira como nunca vi ninguém fazer”.

“Second Act”, coestrelado pela melhor amiga de Jennifer, Leah Remini, no papel de sua melhor amiga, e Milo Ventimiglia, como namorado, a coloca de volta no gênero que cimentou o seu estrelato: as comédias românticas sobre a mulher trabalhadora que ascende socialmente (inclusive com o casamento). 

Jennifer disse que Maya “se dá conta de que não cuidou devidamente de si mesma, e que os pequenos erros que achou que rebaixaram o seu valor permitiram que alcançasse o seu escopo”.

Parece um trecho do seu livro de memórias publicado em 2014, “True Love”, em que ela fez a crônica do ano depois do anúncio do seu divórcio do cantor Marc Anthony, o pai de Emme e de Max, seus filhos. 

Por insistência de Leah, ela fez terapia. “Descobri que eu tinha baixa autoestima”, escreveu.

Em 2011, foi juíza do programa “American Idol” por julgar que seria uma maneira de reapresentar-se a um público que havia esfriado em relação a ela. “As pessoas diziam que gostavam de mim, o que me fez perceber quantos anos desperdicei pensando que, na realidade, não me amavam, e isto afetou a maneira como eu me via”, escreveu no livro.

Entre a terapia e os reality shows da TV ocorreram as epifanias que lhe trouxeram uma nova consciência do seu prestígio; a sua residência de concertos em Las Vegas, concluída recentemente, quando ela ganhou o recorde de 1,43 milhão em vendas de ingressos em uma única noite, e dançou durante três anos até não poder mais; o seu espírito dinâmico de mulher de negócios; e Alex Rodriguez.

Agora, ela está convencida da necessidade de os artistas desenvolverem e financiarem as próprias ideias de maneira independente, e depois procurarem um distribuidor que divida os lucros. “Eu deveria ser uma parceira”, ela disse. Porque nós artistas “não somos descartáveis”.

Jennifer Lopez espera deixar uma marca “no mundo onde quero que a minha filha viva, e meu filho também, que será um homem que respeita as mulheres, compreende as mulheres e dá a elas o valor que merecem”.

Como profissional que abriu caminho onde nada existia, acrescentou: “Estou somente com pessoas que compreendem que o nosso negócio fará história”. “Estamos em um negócio inovador, um negócio que derruba muros, que chuta tetos de vidro. É nesse negócio que nós estamos. Se você não concordar com isto, não poderemos trabalhar juntos”.

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