Natalia Mantini para The New York Times
Natalia Mantini para The New York Times

Jovem cantora sabe usar as ferramentas da internet

Clairo, 19 anos, cuja canção ‘‘Pretty Girl’’ se tornou um sucesso viral, lançou um novo disco

Joe Coscarelli, The New York Times

24 de junho de 2018 | 10h45

Logo depois de concluir o primeiro ano na Universidade Syracuse, no estado de Nova York, a cantora, compositora e produtora Claire Cottrill, que se apresenta como Clairo, estava a bordo de um SUV com motorista, comendo fast food e pensando nas realidades do seu sonho de seguir uma carreira musical. “Sou a pessoa mais inexperiente de todas", disse Claire, 19 anos.

Enquanto artista emergente com uma canção transformada em sucesso viral (“Pretty Girl”) e uma falange de profissionais dedicados (empresário, assessor de imprensa, gravadora), Clairo arregalava os olhos diante das possibilidades enquanto completava uma série de aparições publicitárias em Manhattan.

Claire, que é frequentemente tomada por uma colegial precoce, ficou emocionada com o interesse demonstrado pelo público no seu trabalho. “No momento, sinto-me como uma estrelinha", disse ela.

Ao mesmo tempo ponto culminante e começo, o lançamento recente do EP de Clairo, “diary 001", com seis canções, marca um bizarro período de fluidez para a cantora, cujas criações pop caseiras estão amadurecendo e se tornando algo maior. Embora lance músicas encantadoras na internet desde a adolescência, tudo se acelerou para Claire em meados do ano passado com “Pretty Girl", que ela compôs e gravou sozinha no programa GarageBand e divulgou num vídeo igualmente amador no YouTube: uma garota, sozinha em seu quarto, cantando diretamente para o laptop.

Depois de quase 15 milhões de visualizações, Clairo se tornou outro sucesso em potencial numa geração de compositores autônomos que não se deixam limitar por gêneros e equipamento, com uma compreensão nata do branding e em sintonia com o espírito da internet. Mas Clairo também foi criticada por suas ambições de carreira e pelas relações que busca.

Claire inspirou um movimento contrário que questiona se algum engenheiro de som misterioso não seria o responsável pelo sucesso dela. Explorando principalmente a figura do pai, o executivo de marketing Geoff Cottrill, grupos de mensagens, publicações estudantis e vídeos no YouTube duvidam da legitimidade dela e da sua estreia impecável.

“Golpe da indústria” - expressão que os fãs da música usam para descrever alguém cujo talento não justifica as oportunidades e a atenção recebidas - se tornou um termo frequentemente associado a ela.

No início, essas críticas machucaram. Mas ela disse: “Quando as pessoas me chamam de golpe da indústria, respondo que não: tenho apenas representantes”.

Claire, que cresceu numa pequena cidade de Massachusetts, plantou seus interesses na internet e também na cena local, frequentando casas de shows em Boston e na Filadélfia. Suas primeiras canções usavam o violão, inspiradas em cantores-compositores como Frankie Cosmos. Mas, conforme programas musicais como o PC Music começaram a flertar com uma sonoridade mais pop, e com a erosão das fronteiras entre os gêneros promovida pelos serviços de streaming musical, Claire começou a criar batidas em seu laptop.

O EP “diary 001” tem elementos de ambos os universos. Com sintetizadores suaves, uma divertida batida eletrônica e melodias que lembram o R&B, as canções de Clairo são do tipo moderno, calibradas para serem ouvidas repetidas vezes nos falantes de um computador.

Clairo sabe como criar listas de reprodução, alternando entre os climas como faria um DJ. “Tenho o coração de uma produtora”, disse Claire.

Mais conteúdo sobre:
músicarede social

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.