George Etheredge para The New York Times
George Etheredge para The New York Times

Jovens encontram paz em terapia na natureza

Região de Catskill Mountain oferece a pesca com mosca, como atração local

Tom Brady, The New York Times

15 de dezembro de 2019 | 06h00

Millennnials, que antes tinham se interessado pela observação de pássaros, mudaram o foco para outro esporte associado aos homens brancos de meia-idade: a pesca com mosca. A conexão com a natureza e uma comunidade de esportistas ambientalmente sensíveis fazem parte da atração. Alguns foram para a região de Catskill Mountain, o lar espiritual da pesca com mosca nos Estados Unidos, a 160 quilômetros ao norte da cidade de Nova York.

"Eu me tornei completamente viciado em pesca com mosca", disse Mike Kauffman, 31 anos, empresário de tecnologia e morador de Manhattan que recentemente comprou uma casa em Catskills com sua namorada, Annah Lansdown. "Acho totalmente meditativo - o que nunca soube que precisava."

Desde o primeiro passeio, os dois foram cativados. "Passamos o tempo inteiro pensando que estamos nos conectando com o mundo, mas nossa mente não está satisfeita", disse Kauffman. "Estar naquele rio é a conexão mais profunda com a natureza que nunca tive - e acho que muitas pessoas não têm. É algo que nosso cérebro de macaco precisa. "

Lansdown, 41 anos, diretora de criação, acrescentou. "A água está correndo ao seu redor e você não consegue ouvir nada. Você nem consegue ouvir as pessoas gritando com você. Você não pensa em trabalho, e-mails ou na cidade." Algo sobre estar na floresta apela ao nosso lado primitivo. Muitos antropólogos acreditam que nossos ancestrais hominídeos dormiam nas árvores; quando o Homo erectus chegou, cerca de dois milhões de anos atrás, nos mudamos para o chão da floresta.

Uma onda recente de casas na árvore projetadas por arquitetos sugere que nunca perdemos nossa afinidade em viver nas árvores. No Treehotel, na Lapônia sueca, inaugurado em 2010, sete pousadas ficam no meio de pinheiros cobertos de neve. Peter Nelson, com sede no estado de Washington, constrói casas suspensas em árvores. O construtor japonês Takashi Kobayashi é especialista em chalés com painéis de madeira e diz que seu trabalho apela para "pessoas que gostam de casas na árvore".

O designer britânico Antony Gibbon criou peças de cabines flutuantes, que foram construídas até que um casal lhe pediu para construir uma casa de campo em sua propriedade de 14 hectares no estado de Nova York. Sua cabine de 50 metros quadrados está situada entre pinheiros brancos do leste e carvalhos envoltos em líquen, à beira de um lago. 

"Eu estava olhando para a biomimética", disse Gibbon, "como os animais constroem ninhos e como nós também podemos criar formas que fazem parte da natureza". Wei Tchou encontrou sua saída na natureza lendo o Oaxaca Journal, o relato quase espiritual de Oliver Sacks de sua viagem para o México com a Fern Society de Nova York. Isso a inspirou a reservar uma passagem só de ida para a região.

"Comecei a me apaixonar por samambaias em parte porque elas me lembram de me dedicar a qualidades que às vezes esqueço", escreveu Tchou em artigo para o The Times. “Elas são, por exemplo, profundamente resistentes: geralmente os primeiros sinais de vida para repovoar habitats destruídos. Seus esporos são capazes de flutuar em oceanos inteiros para criar raízes." Sua vida em Nova York, com foco na carreira e dispositivos que disparavam mensagens e notificações, parecia sufocante.

Uma vez em uma floresta nublada no México, cercada por samambaias serenas e cavalinhas de cinco metros de altura, Tchou sentiu sua ansiedade desaparecer. Sua viagem a ajudou mais do que ioga, experimentar psicodélicos ou terapia. O mundo natural permitiu que ela “se afastasse de vez em quando”, como dizia o conservacionista John Muir, “para lavar seu espírito”. TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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