U.S. Geological Survey-Hawaiian Volcano Observatory
U.S. Geological Survey-Hawaiian Volcano Observatory

Um lago de lava escondido sob gelo glacial

Piscinas persistentes de lava são bastante raras na Terra, e levou anos de imagens de satélite para encontrá-la

Robin George Andrews, The New York Times

06 de agosto de 2019 | 06h00

Ainda que não sejam poucos os vulcões espalhados pela Terra, os lagos de lava parecem uma raridade. As imagens populares dos vulcões podem sugerir que esses caldeirões de fogo líquido sejam comuns, mas acreditava-se que havia apenas sete vulcões na Terra com lagos de lava persistentes, que se mantinham após uma erupção.

Agora, usando 30 anos de observações por satélite, cientistas da University College London e do British Antarctic Survey acrescentaram um oitavo vulcão a essa lista: o Monte Michael, estratovulcão de 990 metros de altura na Ilha Saunders, um gélido entreposto localizado a 1.600 quilômetros da Antártida, a massa de terra firme continental mais próxima.

O monitoramento desse reservatório derretido pode melhorar nossa capacidade de prever os danos causados por outos vulcões contendo lagos e lava e mais próximos de populações humanas, disse Jani Radebaugh, da Universidade Brigham Young, em Utah, que não participou do estudo.

O Monte Michael é um vulcão ativo que cospe lava e fica geralmente coberto pelo gelo glacial. Seus declives são perigosos, e ele nunca foi escalado até o topo, o que significa que ninguém chegou a olhar dentro da sua cratera. Fica também tão isolado da civilização que “é quase como se fosse em outros planeta", disse Rosaly Lopes, especialista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que não participou do estudo.

A partir dos anos 1990 e início dos anos 2000, algumas observações orbitais identificaram anomalias térmicas prolongadas que indicariam a existência de um lago de lava, mas não era possível prová-lo. Combinadas a técnicas mais avançadas de processamento, imagens de satélite melhoradas das missões Landsat, Sentinel-2 e Terra permitiram a identificação desse lago em reportagem publicada em julho nas revistas Journal of Volcanology e Geothermal Research. Seu perfil térmico foi visto durante todo o período de observação, indicando que o lago é provavelmente constante.

A região costuma apresentar tempo encoberto, e uma coluna de fumaça vulcânica aparentemente constante encobre o lago durante a maior parte do tempo. Felizmente, a equipe obteve imagens suficientes do lago entre 2003 e 2018 mostrando claramente o fundo de uma cratera contendo um lago superaquecido com largura entre 90 e 215 metros. A lava fica em temperatura entre 989°C e 1.279°C, sendo essa temperatura a mais alta que a lava parece alcançar na Terra.

Essa descoberta enfatiza a diversidade dos lagos de lava constantes. Outros foram encontrados no Erta Ale (Etiópia), no Monte Érebo (Antártida), no Nyiragongo (República Democrática do Congo), no Masaya (Nicarágua), no Monte Yasur e em Ambrym (Vanuatu) e no Kilauea (Havaí). Mas nem os lagos de lava constantes duram para sempre. Os de Kilauea e Ambrym foram esvaziados recentemente após erupções fartas, sublinhando seu lado perene.

Por mais significativa que seja essa descoberta, acredita-se que a maior parte da atividade de erupção do mundo esteja escondida sob os oceanos. Se quisermos encontrar mais lagos de lava, talvez o fundo do mar seja outra fronteira extrema merecedora dos nossos esforços de pesquisa, disse Radebaugh. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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