Rostislav Netisov/Agence France-Presse--Getty Images
Rostislav Netisov/Agence France-Presse--Getty Images

Depósito de resíduos químicos, lagoa é atração no Instagram

Cor cristalina da água é decorrente do despejo de sais de cálcio e óxidos de metal

Andrew E. Kramer, The New York Times

25 de agosto de 2019 | 06h00

MOSCOU - As imagens mostram o que parece um pedaço de paraíso: águas cor de turquesa, brinquedos de praia infláveis e mulheres de maiô deitadas em cadeiras de praia. Este lugar na Sibéria tornou-se recentemente uma atração tão procurada por pessoas que postam no Instagram que há páginas inteiras da rede social dedicadas à sua beleza.

O único problema é que o lago é depósito de resíduos líquidos de uma usina elétrica, feito pelo homem, a Central de Calefação e Eletricidade número 5. E a sua tonalidade azul não é a cor de águas cristalinas que refletem o azul do céu, mas a dos depósitos de sais de cálcio e óxidos de metal, segundo a empresa de eletricidade dona da usina.

Mesmo assim, uma multidão de pessoas procura este local para fotografar uma fictícia maravilha tropical nos arredores de Novosibirsk, um grande centro industrial com uma população de 1,6 milhão de habitantes, mais conhecida pelos invernos rígidos e pelas metalúrgicas. Os usuários da rede social, que o apelidaram de “Maldivas de Novosibirsk”, o destino turístico tropical no Oceano Índico, postaram selfies no lago, de roupa de banho, fazendo ioga e em poses elaboradas para a câmera.

A empresa foi obrigada a emitir uma advertência. A operadora, a Companhia Siberiana de Eletricidade, solicita às pessoas a tomarem cuidado neste local. “A água não é venenosa”, declara a companhia, e acrescenta, “e o nível de radiação é normal’. Mas a água tem um elevado pH por causa das cinzas de carvão que são bombeadas nela e podem causar reações alérgicas.

E embora a empresa tenha alertado os frequentadores que é “quase impossível” sair do fundo lamacento do lago, alguns usuários da rede social aventuraram-se na beira do lago ou mesmo na água em pranchas a remos. À beira do lago, mulheres de biquíni e em roupas de verão fizeram poses como se tomassem sol em uma praia.

Alguns visitantes puseram delicadamente um pé na lama química, para experimentar a temperatura para um mergulho. E recém-casados postaram uma série de fotografias perto da água azul, tão iridescente que parece brilhar, como pano de fundo de uma nova vida. No comentário de uma das fotografias, a autora escreveu que ninguém faz um piquenique no lugar nem mergulha na água.

“Ao mesmo tempo, tenho a impressão de que o ‘perigo’ foi um pouco exagerado”, ela escreveu. “É evidente que não se deve nadar ali, mas por causa de uma sessão de fotos de uma hora ninguém irá virar um monstro”. Outros usuários postaram fotos menos convidativas: alguns mostraram o tamanho, os canos enferrujados que despejam a lama de cinzas da usina elétrica no lago, ou captaram no horizonte as chaminés, pelas quais a cidade é mais conhecida. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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