Gilles Sabrié para The New York Times
Gilles Sabrié para The New York Times

Laos busca fortalecer laços com a China

O país está se preparando para uma nova onda de investimentos chineses no setor da construção civil

Chris Horton, The New York Times

09 Novembro 2018 | 06h00

VIENTIANE, LAOS - Duas décadas atrás, esta sonolenta cidade no Rio Mekong estava começando a pavimentar suas ruas.

Hoje, Vientiane, a capital do Laos, vive um período de frenéticas mudanças. Carros congestionam as ruas asfaltadas da cidade, e o centro está repleto de cafés e restaurantes que atendem ao crescente público de classe média.

O investimento chinês no Laos, dono de riquezas naturais, fortaleceu a economia do país, que deve crescer 7% este ano. O aquecido mercado imobiliário de Vientiane reflete essa tendência. Esperando que a iniciativa Cinturão e Estrada da China tenha como consequência mais conectividade com o país, o Laos está se preparando para uma nova de investimento chinês no seu setor imobiliário.

Um elemento crucial nessas esperanças é uma ferrovia de 420 quilômetros, avaliada em 5 bilhões de dólares, que Pequim pretende construir através do Laos para chegar à Tailândia, um mercado muito maior.

A conclusão da ferrovia trará grandes mudanças para a cidade, ligando o Laos, que não tem saída para o mar, à vasta rede ferroviária da China, atraindo o turismo e o investimento imobiliário, disse Tony Saiyalath, diretor administrativo da RentsBuy, imobiliária com sede em Vientiane.

“Isso vai injetar vida no mercado imobiliário", disse ele. “As pessoas estão começando a comprar - já sabemos onde ficarão as estações.”

O aumento no investimento chinês decorre em parte de uma nova política de “transformação de ativos em capital", introduzida pelo governo comunista do Laos cinco anos atrás. Propriedades do estado podem ser privatizadas para atrair investimento estrangeiro. O plano interessou aos investidores estrangeiros, que adquiriram propriedades em Vientiane. Os preços aumentaram bastante em 2014, mas se estabilizaram, enquanto os aluguéis tiveram queda de 20% a 30% desde 2016, em parte porque as empresas chinesas de mineração reduziram suas operações no Laos após o vencimento de suas concessões.

Empresários chineses são os principais investidores em propriedades de Vientiane, além de investidores do Laos, Vietnã e Tailândia, disse Saiyalath. As empresas chinesas também participam dos maiores empreendimentos imobiliários da cidade. Isso fica claro na margem do rio, onde a arquitetura francesa e laosiana de Vientiane dá lugar a um trecho de construções modernas erguidas pela Camce Investment (Lao) Company, uma joint venture entre a China CAMC Engineering e a empresa laosiana de construção Krittaphong Group. A Camce espera atrair laosianos ricos e estrangeiros.

O complexo Landmark fica no extremo leste do projeto desenvolvido pela Camce e combina residências de alto padrão, hotéis, restaurantes e espaços para eventos.

Rio acima, a ASEM Villa oferece 50 mansões já mobiliadas e decoradas para o aluguel.

“Os fregueses vêm de toda parte - coreanos, japoneses, chineses, cingapuranos", disse ele. O investimento da Camce na margem do rio é apenas um dos projetos chineses que estão transformando a cidade. A Shanghai Wanfeng investiu 300 milhões de dólares de um total previsto de 5 bilhões de dólares na Lagoa That Luang. O projeto é uma zona econômica especial, na qual investidores estrangeiros poderão comprar condomínios. Saiyalath disse esperar que o governo adote uma nova lei permitindo que estrangeiros sejam donos de condomínios fora das zonas econômicas especiais. No Camboja, que tem uma lei parecida, o dinheiro estrangeiro (especialmente chinês) inundou o mercado imobiliário.

“Depois que a lei for aprovada, os estrangeiros se sentirão mais confiantes ao investir no país", disse ele. “Veja a situação do Camboja. Nosso país precisa de desenvolver rapidamente.”

A China está tratando o Laos como prioridade na promoção da campanha de investimentos Cinturão e Estrada. “Para a China, o Laos é o caminho para a conectividade rodoviária e ferroviária com a Tailândia e o restante do Sudeste Asiático", disse Brian Eyler, do centro de pesquisas políticas Stimson Center, de Washington.

A Tailândia desconfia de uma aproximação excessiva com a China, enquanto o governo laosiano logo aceitou o dinheiro chinês, disse o consultor George McLeod, que mora em Bangcoc.

“O setor manufatureiro de baixa tecnologia da Tailândia já foi arrasado pela concorrência chinesa, e a liderança política do país sabe que laços mais próximos teriam consequências ainda maiores para a economia", disse McLeod. “O Laos é ainda mais suscetível a se tornar um parceiro desigual: sua população é pequena (menos de sete milhões de habitantes) e o país fica bem na fronteira sul da China, sem nada que o separe do vizinho maior.”

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