Felix Brüggemann para The New York Times
Felix Brüggemann para The New York Times

Lavando a roupa suja de grandes astros da música

Hans-Jürgen Topf, dono da Rock'n' Roll Laundry, já cuidou de figurinos em turnês de artistas como Madonna, U2 e Beyoncé

Thomas Rogers, The New York Times

14 de fevereiro de 2019 | 06h00

BERLIM - Recentemente, Hans-Jürgen Topf se encontrava nos bastidores da Arena Mercedes-Benz, onde dezenas de funcionários descarregavam o equipamento da última escala da turnê “Experience + Innocence”. Depois de cumprimentar e abraçar vários deles, Topf, 62, entrou em uma sala abafada cheia de lavadoras e secadoras. “Esta é a minha vida”, disse. “Os artistas vivem a vida deles, e eu vivo a minha lavando roupa”.

Topf, o maior especialista do mundo em lavagem de roupa em turnês, viajou com muitos dos grandes cantores e músicos, como Madonna, Pink e Beyoncé. À medida que as turnês se tornaram maiores e mais profissionalizadas, sua logística se tornou por sua vez mais impressionante. Uma turnê da banda U2 chegou a incluir aproximadamente 150 pessoas, todas precisando de comida, alojamento e roupas limpas.

A empresa de Topf, a Rock'n' Roll Laundry fornece equipamentos e mão de obra de lavanderia para produções que estão excursionando. Jake Berry, diretor de produção de turnês do U2, disse que, há 20 anos, a maior parte da lavagem de roupas em uma turnê tinha de ser feita com a maior rapidez nas lavanderias automáticas locais.

No início dos anos 2000, contou Berry, Topf passou a se apresentar com uma van na porta dos locais, oferecendo-se para retirar, lavar e devolver as roupas. As peças eram devolvidas “imaculadas e dobradas”. Logo depois, ele convidou Topf a fazer parte da turnê. “É muito difícil encontrar alguém que goste tanto de lavar roupa”, acrescentou.

O maior desafio quando se trata de lavar roupa em turnê, explicou Topf, é o volume, que pode variar de maneira imprevisível, e a necessidade de trabalhar sem instalações fixas. Muitas vezes, ele teve de trabalhar do lado de fora ou onde podia encontrar água corrente.

Quando está em uma excursão, Topf começa quase todos os dias lavando as roupas dos artistas, que em geral é preciso secar com um pequeno ventilador. Há dias em que leva de três a quatro horas passando ferro. Em certas turnês, ele gasta 20 horas seguidas por dia lavando roupa. Os costumes mais sujos que ele teve de limpar, contou, foram macacões usados pela banda metal Slipknot com manchas de cerveja, creme e sangue falso, deixadas em sacos de lixo por três dias.

Lavar roupa de artistas envolve alto risco. Topf lembra de um incidente, em que Joe Cocker ficou furioso depois que apareceu uma linha desbotada em umas calças que Topf lavara. “Nunca em toda a minha vida esqueci disso”, contou. Topf salientou que o negócio das turnês se tornou uma coisa mais profissional e mais comercial desde que ele começou. Naquela época, encontrava o tempo todo drogas nas roupas, e acrescentou: “Hoje, é mais provável encontrar um saquinho de chá de ervas”.

Hoje, Topf também tem um negócio de lavanderias em Ludwigshafen para empresas e restaurantes. A empresa guarda fotos dos seus clientes favoritos, como Phil Collins e Harry Belafonte. Topf contou que Belafonte autografou a foto sua. “Obrigado por arrancar pedras das minhas calças”. “Não tenho ideia do que isso quer dizer”, falou Topf, “mas são coisas que a gente guarda”.

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