Amy Lombard para The New York Times
Amy Lombard para The New York Times

Leitura astral feita por profissionais certificados ainda têm seu peso

Era digital também oferece mais recursos aos interessados em astrologia

Adrienne Harris, The New York Times

04 Novembro 2018 | 07h00

Para Kiernan Shipka, tudo vai ficar bem. O romance de verão dela pode ter chegado ao fim, mas a atriz vai estrelar a nova série da Netflix, “The Chilling Adventures of Sabrina”, e embarcou no rumo ao autodescobrimento.

Ao menos foi esse o conselho do astrólogo de Kiernan, David Scoroposki, que apresentou recentemente à sagitariana uma leitura do seu mapa astral feita em seu apartamento de Nova York, de acordo com o Times.

“Use esse tempo para refletir e pensar: ‘O que eu realmente desejo? O que eu mereço?’” disse Scoroposki a Kiernan, 18 anos, mais conhecida por interpretar a filha de Don Draper na série “Mad Men".

Mesmo em 2018, cada vez mais pessoas como Kiernan estão procurando a já há muito desacreditada ciência da astrologia, e não faltam candidatos a fazer mapas astrais interessados em ganhar algum dinheiro com os curiosos. Mas, independentemente da veracidade, a astrologia é considerada bastante racional - tanto pelos céticos quanto pelos devotos.

“Boa parte do poder de sedução dessa ciência não tem como base uma crença poderosa em poderes ocultos", disse Amanda Hess eu sua série de vídeos “Internetting”, para o Times. “Não é necessário acreditar na astrologia para se interessar por ela.”

Com o horóscopo diário publicado na internet, é fácil entrar em contato com a dimensão metafísica. 

Naquilo que Amanda chama de “internet mística", aplicativos como Co-Star Astrology e The Daily Hunch atendem ao público digital, e os astrólogos podem alcançar um público de milhares de seguidores.

“Trata-se de um negócio de produção de conteúdo, tanto quanto uma prática espiritual", disse Amanda.

Mas aqueles que desejam dominar as complexidades da astrologia e transformá-la numa profissão precisam recorrer aos livros.

Alguns dos cerca de 1.500 frequentadores da United Astrology Conference realizada em meados deste ano em Chicago passaram por anos de preparação intensiva para fazerem o exame de proficiência da Sociedade Internacional de Pesquisa Astrológica, que avalia a capacidade individual de ler as estrelas, de acordo com reportagem de Callie Beusman para o Times. Ainda que seja uma prova com consulta, o teste de seis horas é comparado a um exame de admissão universitária, ou às provas de 

credenciamento em sociedades terapêuticas, sendo considerado o mais exigente do setor.

“Como a astrologia é algo que as pessoas tendem a encarar como misticismo e magia, ou até um pouco de invenção, pensei que um tipo de certificado poderia mostrar que o assunto é sério", disse a capricorniana canadense Debbie Stapleton ao Times.

Atualmente, mapas astrais podem ser gerados online, mas só um especialista é capaz de fazê-los à mão. 

Um mapa astral identifica, por exemplo, a posição dos planetas no céu no momento do nascimento de uma pessoa, estabelecendo uma referência cruzada com as 12 casas zodiacais do plano celestial e os 12 signos do zodíaco que avançam por essas casas.

Matemática e história são usadas, mostrando que há um substrato bastante real nessa ciência. Isso vem antes da interpretação de como tudo isso afeta a personalidade da pessoa, seus padrões psicológicos e o rumo da sua vida.

“Podemos dizer coisas inspiradoras", disse Debbie. “Mas, se não tivermos cuidado, podemos dizer coisas que assustam e afastam as pessoas” (a Sociedade Internacional de Pesquisa Astrológica proíbe profecias assustadoras).

“O fato é que a astrologia não é para os impacientes nem para os fracos de espírito", disse ao Times a libriana Shelley Ackerman, porta-voz da conferência. “Isso é para pessoas que gostam de charadas, matemática, mitologia e da complexidade da vida. Uma pessoa apressada não pode ser um bom astrólogo", disse Shelley, antes de acrescentar, “A pessoa precisa ter certa sensibilidade".

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