Andrew Seng para The New York Times
Andrew Seng para The New York Times
Alan Mattingly, The New York Times

21 de outubro de 2018 | 07h00

Os estudantes de medicina têm muito a aprender. Pouco sabem a respeito de temas como a vida sexual dos octogenários. É aí que entra Elizabeth Shepherd.

Ela se sentou recentemente com estudantes da Faculdade de Medicina Weill, da Universidade Cornell, em Nova York, e contou-lhes a respeito de como foi criar o filho que ela teve fora do casamento em 1964. Falou-lhes de seus dois divórcios, e da sua "mudança temporária para o time das lésbicas pouco depois dos 50 anos". Falou-lhes de quando conheceu um homem de 90 anos na internet: "Passei com ele um verão maravilhoso". E contou a eles a respeito de seu namorado atual que tem 65 anos.

"Ele está no Afeganistão no momento, e, por isso, minha vida sexual não é tão ativa quanto eu gostaria".

Isso provavelmente contraria o que os estudantes esperavam ouvir de alguém com a idade de suas avós. Mas relatos como esse são o motivo pelo qual a Weill Cornell criou um programa contra a morbidez da idade, chamado "Introdução ao paciente geriátrico".

"Quando vemos apenas idosos hospitalizados, estamos em contato com os mais debilitados, com a deterioração física e mental", disse Ronald Adelman, que desenvolveu o programa. "É fácil ficar com os estereótipos de idosos frágeis".

Elizabeth certamente abalou o pensamento dos estudantes. "É importante eles não acharem que a vida é para quando ficamos mais velhos, por isso, decidi ser sincera", explicou.

Os estudantes de medicina poderiam aprender outra lição a respeito de idosos ativos se entrassem no carro e viajassem para o norte por uma hora para cortar o cabelo. Na cidade de Nova Windsor, eles podem procurar a barbearia Fantastic Cuts e esperar sua vez na cadeira de Anthony Mancinelli, que, aos 107 anos, é considerado o barbeiro mais velho do mundo. Em atividade, é claro: cinco dias por semana, do meio-dia às oito da noite.

"Não deixo ninguém mais tocar no meu cabelo", disse um freguês habitual, John O’Rourke. "Esse sujeito corta cabelo há um século".

É um exagero, é claro. Mancinelli trabalha como cabeleireiro há 96 anos, desde os 11. E é provável que os estudantes de medicina precisem mais dos serviços dele do que o contrário. "Só vou ao médico por insistência das pessoas, mas nem ele consegue entender", disse Mancinelli. "Eu digo a ele que não sinto dores, nem desconfortos, nada".

Ele nunca falta por motivo de saúde, disse a dona da barbearia, Jane Dinezza. “Vejo jovens com problemas nas costas ou joelhos, mas ele não para por nada", contou ela. "Consegue fazer mais cortes do que um jovem de 20 anos".

O segredo? Ele nunca bebeu nem fumou muito. Come espaguete fino "para não engordar". E sempre termina o dia satisfeito com o dever cumprido.

"Ele simplesmente mantém uma mentalidade saudável", disse Jane.

Robert W. Goldfarb precisou de muito tempo para entender como isso é importante. Aos 88 anos, Goldfarb continua participando de corridas competitivas.

"A linha de chegada da minha vida está se aproximando", escreveu ele no Times. "Venho treinando meu corpo para atender às demandas desse trecho final". 

Mas, agora, ele acredita que a ênfase no aspecto físico poder ter sido equivocada.

"Apesar de ter muitos amigos de 70, 80 e 90 anos, demorei muito para perceber que nossa resposta ao envelhecimento é uma escolha feita na consciência, e não na academia de ginástica", escreveu. "Alguns de meus amigos mais saudáveis agem como vítimas dos abusos do tempo. Para eles, a vida é como um desfile de frustrações".

Mas outros, mais afetados pelo desgaste físico, "encontram paz na sua habilidade de aceitar a velhice como outro estágio da vida com o qual temos de lidar".

Assim, ele mudou o foco do seu treinamento, na esperança de desenvolver uma característica que considera essencial: satisfação.

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