Sayna Bashir para The New York Times
Sayna Bashir para The New York Times

Líder do Paquistão não permitirá atuação de milícias armadas

Primeiro-ministro Imran Khan busca promover grandes mudanças no país

Jeffrey Gettleman, The New York Times

17 de abril de 2019 | 06h00

ISLAMAD, PAQUISTÃO - O seu país quase foi para a guerra com um inimigo vizinho de seis vezes e meio o seu tamanho. Os militantes estão nas escolas religiosas e no interior. E com a inflação vertiginosa e uma dívida cada vez maior, sua equipe financeira luta desesperadamente para garantir  um pacote de ajuda de muitos bilhões de dólares na tentativa de evitar o colapso econômico. Mas Imran Khan, o primeiro-ministro do Paquistão, parece confiante nos seus seis primeiros meses de mandato.

“Decidimos que, pelo futuro do nosso país - esqueçamos das pressões externas - não permitiremos mais a atuação de milícias armadas”, ele disse no início do mês. “Elas foram criadas pelo Exército paquistanês”, ele disse, referindo-se aos anos 1980, quando o Paquistão e os Estados Unidos apoiaram os rebeldes muçulmanos no Afeganistão contra as forças soviéticas. E, acrescentou, “estes grupos deixaram de ter razão de existir”.

Khan, 66, luta para endireitar a economia e fazer com que as forças de segurança reprimam os grupos militantes que se refugiam no Paquistão. Ele prometeu que esta nova campanha de repressão será muito mais rigorosa do que as anteriores. Um grupo supervisor internacional está prestes a incluir o Paquistão em uma lista negra e a impor sanções ao país. Se isto acontecer, o Paquistão enfrentará dificuldades maiores ainda para obter ajudas financeiras e os empréstimos que já solicitou. “Não podemos permitir que nos coloquem numa lista negra”, afirmou.

Mas Khan também foi elogiado por seu comportamento contido e de estadista durante uma recente crise com a Índia, que ele contribuiu para solucionar libertando um piloto indiano que havia sido capturado, e enfatizando a paz. Ele pareceu plenamente consciente de que a última coisa de que o Paquistão precisa é uma guerra.

Paquistão e Índia são inimigos jurados desde 1947, quando a Grã-Bretanha descolonizou o subcontinente indiano e criou duas nações: a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. As duas partes  entraram em conflito várias vezes. Mas neste caso, depois que as forças paquistanesas derrubaram um caça indiano e capturaram o piloto, Khan e os militares concordaram que a melhor resposta seria libertar o piloto, o que abrandou as tensões.

Agora, Khan enfrenta dificuldades na área econômica. O Paquistão luta há anos com um desemprego elevado, uma arrecadação extremamente baixa, uma corrupção desenfreada e exportações muito fracas. O déficit comercial do país havia chegado a US$ 33 bilhões quando Khan assumiu o cargo, em agosto. Ele atribuiu os problemas econômicos do país aos seus antecessores. “Não é concebível que a elite governante tire dinheiro do país e o leve para o exterior”, afirmou. “Se não for responsabilizada por isto, o país não terá futuro”.

Com reservas de moedas fortes quase insuficientes para cobrir as contas mensais das importações, o governo de Khan sabe que precisa de uma considerável ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional, mas esta costuma estar atrelada a dolorosas condições de austeridade. Sua equipe da área de finanças prometeu que seria anunciado um acordo nas próximas semanas. Nas ruas, o descontentamento cresce. As pessoas se queixam dos aumentos dos preços. Khan tenta reduzir as exigências para que impeça um crescimento ainda maior do déficit comercial.

Mas as decisões do seu governo de elevar os impostos sobre o combustível e a necessidade de aumentar a arrecadação dos paquistaneses, embora necessárias para a saúde da economia no longo prazo, revoltaram ainda mais a população. As previsões são de um crescimento econômico bem mais lento.

“A minha principal prioridade é tirar 100 milhões de pessoas da pobreza”. Analistas paquistaneses afirmam que a sua prioridade é genuína, mas questionam como Khan poderá pagar por ela. “Há muito tempo, tenho sido bastante coerente com as minhas críticas ao primeiro-ministro”, afirmou Mosharraf Zaidi, colunista de um jornal. “Uma coisa pela qual não posso criticá-lo é o seu objetivo fundamental de ele estar na vida pública, que é a compaixão”. / Meher Ahmad contribuiu de Islamabad para a reportagem

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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