Billy H.C. Kwok/The New York Times
Billy H.C. Kwok/The New York Times
Chris Horton, The New York Times

25 de janeiro de 2019 | 06h00

TAIPEI, TAIWAN - A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, vivia um momento de fragilidade política. Seu partido tinha perdido importantes eleições locais, prejudicando as chances de reeleição dela no ano que vem. Mas, então, a ajuda veio de onde menos se esperava: do presidente da China.

Num discurso feito esse mês ao povo de Taiwan, uma democracia independente que Pequim considera território chinês, o presidente Xi Jinping disse que a ilha "deve ser e será" unida à China, alertando que as iniciativas de independência podem ser respondidas com a força.

O discurso de Xi fez aumentar ansiedades que Tsai foi capaz de canalizar numa resposta. "Os valores democráticos são os valores e o modo de vida celebrado pelos taiwaneses", disse ela, "e convocamos a China a avançar corajosamente rumo à democracia".

A popularidade de Tsai aumentou vertiginosamente. Ela deu a impressão de retomar sua influência dentro do partido com a nomeação de um aliado, Cho Jung-tai, como presidente da agremiação. A mudança sublinha o desafio enfrentado por Pequim ao oferecer um plano para a unificação. A maioria dos 23 milhões de taiwaneses é favorável à manutenção de uma independência de facto sem qualquer gesto formal que possa provocar uma resposta militar da China. Ainda assim, Taiwan tem a tendência de reagir quando ameaçada.

A resposta de Tsai foi vista como "muito presidenciável" por muitos taiwaneses, disse Hans H. Tung, da Universidade Nacional de Taiwan. Para o estudioso, ela conquistou mais apoio dentro de seu Partido Democrático Progressista, que defende a independência.

Foi uma reviravolta depois de o partido de Tsai ter perdido importantes eleições para a prefeitura em novembro, vencidas pela oposição, o partido Kuomintang, ou KMT, principalmente por causa de questões econômicas.

A rejeição dela ao discurso de Xi lhe valeu o apoio de eleitores como Li Imte, de Taipei. "Em se tratando de melhorar a situação de Taiwan, não consigo pensar em ninguém mais capaz que Tsai Ing-wen", disse Li.

A disputa gira em torno do chamado Consenso de 1992, um acordo informal entre Pequim e o governo do Kuomintang que controlava Taiwan na época. Esse acordo sustenta que há apenas "uma China", que inclui Taiwan, mas os dois lados podem aplicar essa definição à sua maneira. Para Pequim, a única China é a República Popular da China. Para o Kuomintang, República da China é o nome oficial de Taiwan. Tsai se recusou a honrar esse consenso, levando o governo de Xi a suspender os contatos oficiais com o governo da ilha.

Wayne Chiang, um legislador do Kuomintang e bisneto do presidente Chiang Kai-shek, que governou a ilha durante anos, elogiou os esforços de Tsai quanto a necessidade de fazer Pequim respeitar a democracia e a liberdade de Taiwan.

"Taiwan não é Hong Kong. Além disso, a maioria dos taiwaneses considera impossível aceitar um modelo de 'um só país, dois sistemas'".

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