Ryan Pfluger para The New York Times
Ryan Pfluger para The New York Times

Lionel Richie é o mais novo jurado de 'American Idol'

O cantor, que anteriormente criticou o programa, se uniu a Katy Perry para ensinar como se tornar um 'ídolo'

Alex Pappademas, The New York Times

29 Março 2018 | 10h00

LOS ANGELES - Os aspirantes a “American Idol” que cantavam em uma boate de Hollywood formavam um grupo diversificado. Mas a maioria tinha uma coisa em comum: eles não sabiam como receber elogios de Lionel Richie.

Baseando-se exclusivamente na venda de discos do século 21, a maior estrela do painel de jurados do “American Idol” desta temporada é Katy Perry, cujas qualificações incluem uma base de fãs fervorosa e uma vontade de ser chocante na televisão.

Mas em Richie - que se juntou a Katy e ao galã do país, Luke Bryan, em março - o programa pode ter encontrado um contrapeso ideal para o entusiasmo insensato de Katy. Apenas Richie, 68 anos, pode falar com a autoridade de um homem que começou na era da gravadora Motown e sobreviveu até a era dos memes.

Embora tenha feito aparições em “American Idol” e “Canadian Idol”, sua decisão de se juntar ao painel de jurados em tempo integral é uma surpresa. Richie criticou o programa ao longo dos anos por promover talentos produzidos em massa. Em 2009, ele sugeriu que o programa teria eliminado Mick Jagger e James Brown rapidamente.

Mas quando foi convidado para participar à remontagem - "Idol" está em uma nova rede, a ABC, depois de 15 temporadas na Fox, finalizadas em abril de 2016 -, Richie disse que começou a pensar em como usar a plataforma. Ele afirmou ter assistido à indústria falhar ao ser mentora de artistas por um longo prazo.

"Duas vezes por semana, o professor Richie vai falar sobre a realidade do que é preciso para ser um artista", disse ele. “Você acha que é só cantar? Não, não é. Que tipo de estilo você tem? Que tipo de energia você tem? Quantas vezes você pode aceitar um 'não'? Quantas vezes você pode recomeçar? Isso é um artista".

Katy contou que insistiu para que Richie participasse do painel depois de esbarrar com ele em uma noite, no hotel Sunset Tower, e passar horas lhe ouvindo falar sobre suas experiências na indústria da música. "Foi simplesmente de cair o queixo", disse ela. “Fui falar com os produtores e bati o pé. Eu fiquei, tipo, Lionel Richie é o tio, o historiador, a sabedoria que estamos perdendo neste programa".

Se "Idol" existisse na década de 1960, quando Richie estava em idade de audição, ele não teria chegado nem perto do programa, pois era dolorosamente tímido. Ele gosta de dizer que agradece a Deus pelos integrantes da banda Commodores, porque sem eles, ele nunca teria se descoberto Lionel Richie.

Richie nasceu em Tuskegee, Alabama, e cresceu no campus da Universidade Tuskegee. Ele era um estudante de economia em Tuskegee quando um de seus futuros companheiros de banda o viu carregando uma caixa de saxofone e lhe ofereceu um lugar na banda que se tornaria os Commodores.

Seus sucessos para os Commodores podiam ser sentimentais, até melosos, mas também desafiavam o gênero. "Sail On" é um lamento solitário para Jackson Browne; o sucesso de 1977, “Easy”, era puro country.

Mais tarde, a pedido da gravadora Motown, ele gravou um álbum solo e depois outro. Richie ainda achava que se aposentaria como Commodore, no entanto, disse que tudo mudou depois das Olimpíadas de 1984. Em frente a uma audiência mundial de TV, Richie cantou “All Night Long”, dançando em cima de algo que mais parecia o topo de um bolo de casamento.

Não parecia um ponto de virada. "Saí de casa", disse Richie, "saí e corri por esse campo durante 20 minutos, voltei para o carro e saí do estádio”.

Ele lembra o que aconteceu quando parou em um cruzamento: "As pessoas caminhavam em direção ao meu carro." Naquele momento, ele disse: "Eu me tornei" Lionel Richie All Night Long. "Lionel Richie All Night Long! Lionel Richie All Night Long! Essas pessoas acabaram de sair do avião de Taipei, mas conhecem Lionel Richie All Night Long”.

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