Ying Ang para The New York Times
Ying Ang para The New York Times

Livros infantis considerados impróprios para certas estantes

Para o autor Andy Griffiths, de 'Casa da Árvore', limites existem para serem testados

Clarissa Sebag-Montefiore, The New York Times

21 Março 2018 | 10h00

MELBOURNE, AUSTRÁLIA - Andy Griffiths, autor australiano de livros infantis de sucesso, gosta de forçar os limites do bom gosto, ganhando fama com títulos como "The Day My Butt Went Psycho!" (O dia em que a minha bunda ficou louca!, em tradução livre) e um compêndio de brincadeiras, “Just Joking!” (É brincadeira!)

“Muitas brincadeiras de criança estão em decadência. É um tédio”, zombou Andy. Então, ele começa com uma ideia divertida para ele, adulto. “Nós achamos que as crianças são inteligentes”, afirmou, “e escrevemos para elas como pessoas iguais a nós e dizemos: ‘Pessoal, nós achamos que isto é realmente engraçado e queremos compartilhá-lo com vocês!’”

Mas foi a sua série “Treehouse”  (A casa da Árvore) que o catapultou para a fama global. Lançada em 2011 com o seu colaborador, o ilustrador Terry Denton, os seus livros tornaram-se best-sellers nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha, Holanda, Noruega e Coreia do Sul. O mais recente é “The 78-Story Treehouse”, e uma adaptação para o teatro do primeiro livro da série “The 13-Story Treehouse” está em turnê nos Estados Unidos.

A ação da série é conduzida pelos encantadores, mas azarados, Andy e Terry, que moram em uma casa colossal na árvore atulhada por uma máquina de fazer marshmallow, uma pista de boliche e um tanque de tubarões comedores de gente.

A obra de Griffiths é engraçada e fantástica, com um lado sombrio que lembra o de Roald Dahl.

Em pessoa, entretanto, ele é humilde e atencioso, embora seja bastante fechado; nos braços mandou tatuar personagens literários. Ele mora em uma casa na praia perto de Melbourne, na Austrália, com a esposa, Jill, de 56 aos, coautora e editora dos seus livros, e a filha, Sarah de 17.

O estúdio no jardim de Griffiths é um paraíso para crianças, embora com um senso de humor perverso.

Há dinossauros de plástico cujas cabeças foram substituídas por cabeças de bonecas bebês; um esqueleto vestido com toga e capelo; e vários coalas “killers”, como diz Griffiths. Dominando tudo isto há a maquete da casa da árvore de três metros.

Griffiths se irrita com a ideia de que os livros de crianças precisem ter um propósito ou ser instrutivos. “Qual é o propósito das nossas histórias?” perguntou. “Não há nenhum propósito. Essa é a questão. É ler um livro e gostar dele”.

“The Day My Butt Went Psycho!” fala de um exército de bundas cujo objetivo é dominar o mundo com um gigantesco peido tóxico. Os seus livros foram retirados das bibliotecas, das escolas e das livrarias, mas venderam mais de 8,5 milhões de exemplares. Na Austrália, ele foi o autor que mais vendeu por quatro anos. “As crianças não leem ficção como se fossem um manual de vida”, disse Griffiths.

Mas a série da Casa da Árvore foi uma tentativa de “deixar” o gênero vagabundo, admitiu. “Tínhamos cometido todo tipo de violação. Então dissemos que só escreveríamos um livro sobre a impossibilidade de escrever um livro - e que viveríamos em uma casa na árvore”.

Agora, aos 56, Griffith continua ao mesmo tempo maliciosamente pueril e incansavelmente curioso. “A criança dentro de nós nunca foi embora”, afirmou, percorrendo amorosamente com o olhar o seu escritório.

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