Museo Nazionale Scienza e Tecnologia
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Mesmo com foco no Louvre, obras de Leonardo da Vinci permanecem na Itália

Muitas das obras do artista viajaram de todo o mundo para uma grande mostra no Louvre. Mas muitas mais permanecem na Itália

Elisabetta Povoledo, The New York Times

17 de janeiro de 2020 | 06h00

VINCI, ITÁLIA - Em sua biografia de Leonardo da Vinci, escrita 30 anos após a morte do artista, em 1519, Giorgio Vasari disse que o intelecto de Leonardo era de tal ordem que, “independentemente do objeto que capturasse seu interesse, ele logo se tornava um mestre no assunto, com facilidade".

Para o quinto centenário da morte do artista, o Museu do Louvre, em Paris, certamente roubou os holofotes com sua exposição de sucesso, Leonardo da Vinci (estará em cartaz até 24 de fevereiro). Mas essa destreza intelectual - visível nas pinturas e desenhos de Leonardo, bem como nos seus estudos científicos, e suas maquetes de engenharia e arquitetura - deram origem a exposições comemorativas em diferentes cidades italianas, onde o legado de Leonardo ainda é fonte de orgulho.

Esse orgulho é sentido com força total em Vinci, pequena cidade da Toscana cerca de 30 quilômetros a oeste de Forença, onde Leonardo nasceu no dia 15 de abril de 1452, filho de Ser Piero da Vinci, um próspero tabelião, e uma camponesa local chamada Caterina.

O fantasma de Leonardo paira na cidade murada, onde artistas contemporâneos reinterpretaram a visão dele. Uma réplica escultural em 3-D do desenho de Leonardo, Homem Vitruviano, domina a praça principal do centro histórico (a obra original está na exposição do Louvre). 

O local exato do nascimento de Leonardo é desconhecido. Mas, como escreveu Walter Isaacson em sua biografia do artista em 2017, “a lenda e a indústria local do turismo” definiram este local como um chalé em Anchiano, a três quilômetros de Vinci, transformado hoje em um pequeno museu. O museu se concentra no interesse de Leonardo pela ciência, arquitetura e engenharia, e inclui várias maquetes - entre elas máquinas voadoras e de guerra - criadas em 1952, celebrando o 500º aniversário do seu nascimento.

Nos anos 1460, Leonardo deixou Vinci e rumou para Florença. Ali, Leonardo pintou a figura de um anjo na extremidade esquerda do Batismo de Cristo, de Verrocchio. O painel de Leonardo com A Anunciação para a Igreja de Monte Oliveto também é dessa época. Ambos estão expostos na galeria Uffizi. 

Leonardo se mudou para Milão em 1482, e essa primeira estadia durou 17 anos, época em que a cidade era governada por Ludovico Sforza, príncipe que recrutou Leonardo para uma série de tarefas na corte. O rascunho de uma carta de apresentação escrita por Leonardo a Ludovico está em exposição em Milão na galeria Ambrosiana, na qual ele se apresenta como especialista em engenharia militar, capaz de projetar armas que “vão causar terror profundo entre os inimigos". Menciona suas outras habilidades na escultura e pintura como mero complemento.

Uma adição mais moderna ao legado milanês de Leonardo data de 1953, quando o Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci foi inaugurado com maquetes dos inventos de Leonardo. A exposição na Ambrosiana, Leonardo in Translation, foi prorrogada até 1º de março, e é a mais interessante das exposições em homenagem a ele. 

O foco é a propagação das pesquisas de Leonardo no século 19, incluindo escritos e rascunhos. A exposição também inclui a obra de Luigi Calamatta, artista italiano conhecido por reproduzir obras de arte como gravuras. Graças à sua amizade com o pintor Ingres, ele pôde fazer uma gravura da Mona Lisa, a mais admirada pintura de Leonardo, atualmente sequestrada pela fama no Louvre. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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