Devin Yalkin para The New York Times
Devin Yalkin para The New York Times

Lutas tradicionais ainda têm grande apelo para o público

Diferentes modalidades de luta podem refletir aspectos culturais de seus países de origem

Matt Wasielewski, The New York Times

02 Setembro 2018 | 10h00

Se alguém for nocauteado no ringue e não houver ninguém para testemunhar o momento, será que ele aconteceu de verdade? De que vale um esporte voltado para o público sem os seus fãs?

Jake Gomez, conhecido pelos fãs como Logan Black, Rei do Caos, é um lutador amador da cena informal de Nova York. Trata-se de uma comunidade de artistas, juízes e fãs que se reúne a cada semana para combates controlados com roupas exuberantes.

"A plataforma serve para subir ao ringue e mostrar o super-herói que existe dentro de você", disse Gomez. Durante o dia, ele trabalha como professor especializado em necessidades especiais.

Temos o Cajun Crawdad (Lagostim da Louisiana), que tem como parceiro um caranguejo ermitão; Orian Dove, um vilão que usa botas brancas emplumadas; Pyro Pulse e Iceberg Joe, dois irmãos que lutam juntos como a dupla Elementais. E há também os fãs, que são um capítulo à parte.

"Adoro os personagens, a criatividade", disse Nova Gray, 21 anos, que viajou de Baltimore até o Brooklyn recentemente para acompanhar uma luta. "É um esporte que aproxima as pessoas".

Depois que os combates chegam ao fim, espectadores e atletas dividem um espaço social fora do ringue. Esses relacionamentos permitem que os lutadores (cujo cachê pode chegar a apenas US$ 20 por luta) vendam produtos licenciados para ganhar algum dinheiro extra.

"O reconhecimento mútuo era nítido; todos eram conhecidos em meio a desconhecidos", escreveu Ben Detrick, do Times.

Na prestigiada escola japonesa de ensino médio Kaisei Gakuen, inaugurada em 1871, o ambiente também é dominado por fanáticos. Milhares de pais, professores, ex-alunos e estudantes se reúnem todos os anos para o festival de esportes da escola. A maioria está ali para acompanhar o botaoshi, um jogo que consiste em "derrubar o mastro", disputado há mais de cem anos.

Quando começa cada rodada de 90 segundos, duas dúzias de veteranos se lançam contra as laterais do campo na tentativa de derrubar um mastro de 3,5 metros defendido pela outra equipe. O jogo pode ser perigoso, o que levou muitas escolas japonesas a abandoná-lo. Mas os professores de Kaisei dizem que a modalidade promove o trabalho em equipe, a resistência e o espírito esportivo. Os alunos recém-chegados aguardam ansiosamente sua oportunidade de participar.

"Desde o primeiro ano do ensino médio, acompanhei as participações do meu senpai", disse Makoto Nakagawa, recém-formada em Kaisei, a respeito dos alunos mais velhos. "A imagem do botaoshi estava no centro de tudo. É uma tradição".

Para os nigerianos, o estilo de boxe da África Ocidental, conhecido como dambe, é uma tradição que reúne os aldeões. O esporte é brutal. Os boxeadores envolvem seu braço mais forte com cordas para o ataque (a "lança"), usando o outro braço para a defesa (o "escudo"). O objetivo é derrubar o adversário em até três rounds. Enquanto isso, cantores e percussionistas tocam para incentivar seus lutadores.

Narizes quebrados, dentes em pedaços e nocautes são comuns. Os fãs, donos das arenas de luta e frequentadores mais ricos sustentam seus lutadores favoritos, alguns dos quais podem agora se dedicar à luta em tempo integral.

Faruk Bello formou um campeonato na tentativa de padronizar as regras e inibir algumas das tendências mais extremas no esporte, incluindo o comportamento dos fãs. A liga anunciou um código de conduta para os espectadores, com penalidades como cartões vermelhos e expulsões.

"Queremos um dia realizar um encontro mundial de dambe, com a participação de todos os países", disse Bello ao Times.

Ele sonha em levar um combate amistoso até Las Vegas.

"Da África até o Oeste Americano", onde, segundo Bello, novos fãs aguardam.

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