John Muggenborg para The New York Times
John Muggenborg para The New York Times

Madeira volta a ser usada em construções americanas

Críticos, no entanto, alertam para o risco de incêndios e questionam a durabilidade do material

C. J. Hughes, The New York Times

15 de janeiro de 2019 | 06h00

As construtoras deixaram de usar madeira para muitas outras coisas, mantendo-a apenas para a construção de casas desde os temposdos primeiros automóveis. Mas a madeira está voltando. Procurando projetos mais verdes, as construtoras agora optam por madeira para a construção de edifícios de escritórios, apartamentos e complexos escolares. Nem todos aprovam a tendência. Persistem as preocupações com a resistência às chamas e à resistência da madeira em si, bem como o seu custo, que pode ser 30% superior ao dos materiais tradicionais.

Mas os que defendem a sua volta obtiveram uma grande vitória no mês passado, quando o International Code Council, uma influente organização de assessoria de Washington, concluiu que alguns edifícios de madeira podem chegar a 18 andares, mais que o dobro da altura atualmente permitida, sem comprometer a sua segurança.

No estado de Wisconsin, duas construções foram feitas majoritariamente em madeira. Uma delas é um edifício de escritórios de sete andares. O outro é uma torre de luxo de 21 andares, com 201 unidades para serem alugadas, que será a construção de madeira mais alto do hemisfério ocidental. Ambos aguardam a aprovação, mas esperam tornar-se os pioneiros, este ano.

Ao contrário da produção de concreto e aço, que gera enormes quantidades de dióxido de carbono, a de madeira é um processo relativamente pouco poluente, segundo Tim Gokhman, diretor da New Land Enterprises, que está realizando os projetos em Wisconsin.

As árvores são facilmente renováveis, e atingem praticamente sua altura máxima em cerca de dez anos, disse Jason Korb, arquiteto de ambos os projetos da New Land. E acrescentou que torres de madeira já existem ou estão sendo levantadas na Austrália, Áustria, Canadá e Noruega, entre outros lugares.

Para os que acham que os edifícios de madeira se assemelhem a cabanas de troncos, a atual safra tem fachadas de metal ou de tijolos, como mandam os códigos de construção devido às restrições por causa de possibilidade de incêndios, o que significa que os edifícios muitas vezes não se destacam pela fachada.

No seu interior, entretanto, estão amplamente expostas superfícies com delicadas estrias de madeira como no Carbon 12, um condomínio de oito andares, e 14 unidades, no Oregon, atualmente a mais alta estrutura de madeira dos Estados Unidos. O Carbon 12 custou 11 milhões de dólares e foi 20% mais barato do que uma versão em concreto.

Ben Kaiser, o construtor, disse que além dos seus benefícios para o meio ambiente, as construções de madeira apresentam um ótimo desempenho no caso de terremotos por sua maior leveza e flexibilidade. Os que defendem o uso da madeira precisam superar ainda um preconceito antigo. Nos anos 1800, os incêndios eram um verdadeiro castigo, daí a imposição de restrições da madeira.

E, por outro lado, a madeira hoje não é mais o que costumava ser. A redução das antigas florestas  faz com que as construtoras não possam mais contar com enormes troncos que antes suportavam os andares. Ao contrário, dependem da mass timber, um produto industrializado composto de camadas de abeto ou pinheiro prensados juntos  semelhantes a compensado, mas com um aspecto mais elegante.

A madeira do tipo nail-laminated, que pode ter diversas aplicações na construção de um edifício, reforça a estrutura do T3, um prédio de escritórios de sete andares, construído há três anos, em Minnesota. Oitenta e dois por cento do edifício revestido de aço é alugado a clientes como o Amazon. A imobiliária Hines, que criou o T3, está levando o projeto para cidades como Atlanta, onde um prédio de sete andares, de 23 mil metros quadrados, projetado e construído com a Invesco Real Estate, será inaugurado neste verão.

A madeira continua cara, mas, apesar do seu aspecto de produto de linha de montagem, a mass-timber (madeira laminada e comprimida em várias camadas) com a qual as fábricas fazem grandes painéis que montam no local, representa uma economia de tempo e de custo da mão de obra.

Apesar dos sucessos recentes, houve também tropeços. Conseguir aceitação da mass timber parece particularmente difícil na cidade de Nova York. Mas no Brooklyn estão em andamento alguns projetos, inclusive dois edifícios de escritórios. Estes edifícios, de três e cinco andares, obedecem aos códigos da prefeitura, que limita os prédios de madeira a sete andares.

Como em Nova York os terrenos são muito caros, um edifício baixo pode ser mais irreal, afirmam as construtoras. A altura é uma limitação para o frustrado Jeff Spiritos, construtor e ex-executivo da Hines. Mas dentro em breve, Nova York poderá se tornar mais atraente, por causa do resultado da votação realizada em dezembro pelo International Code Council. “Eu me sinto muito seguro quanto ao imperativo ambiental da mudança da maneira como construímos”, disse Spiritos, “pela saúde do planeta”.

Mais conteúdo sobre:
construção civilmadeira

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.