Lam Yik Fei para The New York Times
Lam Yik Fei para The New York Times

Manifestantes de Hong Kong pedem ajuda aos EUA contra governo da China

Ativistas agora querem que o presidente Donald Trump tome uma posição mais dura contra Pequim

Edward Wong, The New York Times

06 de novembro de 2019 | 06h00

HONG KONG - Dependendo do dia, os manifestantes de Hong Kong agitam bandeiras americanas ou cartazes com a imagem do Tio Sam recrutando combatentes, e até se vestem como Capitão América. Os Estados Unidos representam a democracia, e os ativistas espera que, quem sabe, mas só quem sabe, venham em socorro de Hong Kong.

Os manifestantes pressionam as autoridades de Hong Kong e os seus chefes, os líderes autoritários do Partido Comunista da China, para conseguir maiores direitos democráticos e o governo da lei no território autônomo. Na opinião deles, o governo Trump poderia  fazer exigências aos líderes chineses ou às autoridades de Hong Kong.

Além disso, ressaltam, a guerra comercial com a China deflagrada pelo presidente Donald Trump, aumenta a pressão sobre o presidente Xi Jinping. “Os Estados Unidos deveriam continuar impedindo Pequim de usar a força, de manter este controle feroz sobre Hong Kong, e obrigassem Pequim a pagar o pesado prejuízo para a sua reputação com a redução dos direitos e das liberdades dos cidadãos de Hong Kong”, disse Ryan Hass, ex-funcionário do Departamento de Estado.

“Temo que os manifestantes de Hong Kong corram o risco de interpretar mal a simpatia e o apoio americano à sua causa na expectativa de que os Estados Unidos os protejam da mão pesada de Pequim”. Versões de um projeto de lei que daria apoio aos manifestantes circularam no Congresso dos Estados Unidos com o respaldo dos dois principais partidos. Entre outras coisas, a legislação permitiria que os Estados Unidos impusessem sanções econômicas e a proibição de viagens a funcionários de Hong Kong considerados responsáveis pelos abusos dos direitos humanos.

“Esperamos que este projeto seja aprovado”, disse Selina Po, uma manifestante de 27 anos de Hong Kong, erguendo um cartaz com o nome do projeto de lei, “Hong Kong Human Rights and Democracy Act.” “Nossa esperança é ganhar esta guerra. Estamos tentando todo o possível”.

Mas as autoridades americanas afirmam que os Estados Unidos precisam avaliar cuidadosamente os próprios passos. Um maior envolvimento americano poderia dar a Pequim mais munição ao seu esforço de propaganda que retrata o movimento em defesa da democracia como uma incitação vinda de fora, e alimentar a violência. “Estamos dizendo a todos aqueles com os quais temos diálogo, que não queremos violência”, disse recentemente o secretário de Estado Mike Pompeo. “Acreditamos que deveria haver uma solução política do conflito que se desenrola naquele país”.

Dependerá de Trump decidir se os Estados Unidos agirá no caso de Hong Kong. Em junho, ele disse a Xi em um telefonema que ficará calado a respeito da questão de Hong Kong se houver progresso nas conversações entre Washington e Pequim sobre o comércio, segundo um funcionário americano que falou com a condição de que  seu nome fosse mantido em sigilo.

Funcionários do governo afirmam que a estratégia de Trump confere aos Estados Unidos um posição de força para reprimir Pequim. “Hong Kong pertence à China”, disse uma porta-voz do Ministério do exterior chinês. “Qualquer tentativa de interferir nos assuntos de Hong Kong não terá sucesso”.

No entanto, muitos manifestantes querem a intervenção americana e focalizam a legislação. A ameaça de sanções americanas, afirmam, daria ao movimento mais força com Pequim. No dia 14 de outubro, na noite anterior à votação da Câmara dos Representantes dos EUA na qual o projeto de lei foi aprovado, os manifestantes realizaram um comício no centro da cidade. Dezenas de milhares de pessoas estiveram presentes, muitas delas carregando bandeiras americanas.

“O poder do povo de Hong Kong sozinho é limitado, nós precisamos de outros países, como os EUA, para nos ajudarem a fazer frente à China e a manter ‘um só país, dois sistemas’”, afirmou Eric Kwan, 32, “Duvido que a lei possa mudar alguma coisa, mas acho que é bastante para pressionar a China”. Ezra Cheung contribuiu para a reportagem. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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