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Máquina vende histórias gratuitas impressas com o toque de um botão

Objetivo da editora Short Edition é injetar 'nova vida à literatura' 

Laura M. Holson, The New York Times

04 Maio 2018 | 15h30

As histórias são compartilhadas de muitas maneiras. São recontadas em livros e revistas. São lidas em voz alta em torno da fogueira à noite. São distribuídas aleatoriamente a partir de quiosques automatizados, impressas em rolos de papel que lembram os de uma nota fiscal ou recibo.

Espere aí: que formato é esse?

Coube aos franceses, com seu amor por Voltaire e Simone de Beauvoir, injetar vida nova na literatura numa era de notícias rápidas e vício em smartphones.

A editora comunitária francesa Short Edition, especializada em literatura curta, vendeu 150 máquinas de venda de histórias em todo o mundo que, ao toque de um botão, entregam histórias ao freguês. A editora instalou mais de 30 nos Estados Unidos nos 12 meses mais recentes, em restaurantes, universidades, repartições públicas e centros de transporte.

“Tudo que era antigo ganha vida nova", disse Andrew Nurkin, vice-diretor da Biblioteca Livre da Filadélfia, onde uma das máquinas foi instalada. “Queremos que as pessoas sejam expostas à literatura. Queremos promover a alfabetização entre as crianças e inspirar a criatividade.”

É assim que funcionam: elas têm um formato cilíndrico, equipadas com três botões, indicando “um minuto”, “três minutos” e “cinco minutos” (é o tempo necessário para ler cada história). Quando apertamos um botão, uma história é impressa num pedaço de um longo rolo de papel.

As histórias são gratuitas. São parte de um catálogo computadorizado de mais de 100 mil originais enviadas por autores cuja obra foi avaliada pelos curadores da Short Edition, transmitidas para a unidade via rede celular. Há opções para preferências do leitor, como ficção infantil, romance e até contos ligados a datas específicas.

A Short Edition obtém suas histórias organizando concursos de autores. 

Fundada por executivos de editoras, a empresa, com sede em Grenoble, vendeu sua primeira máquina em 2016. “Queremos criar uma plataforma para artistas independentes, como o Sundance Institute", disse Kristan Leroy, funcionária da empresa.

O custo individual de cada unidade é 9,2 mil dólares, além de outros 190 dólares mensais para manutenção do software e do conteúdo. O único componente que precisa ser substituído é o papel. As histórias impressas têm uma vida dupla, e são compartilhadas em média 2,1 vezes, disse Kristan.

“A ideia é alegrar as pessoas", disse ela. “Há muita depressão e fatalismo hoje em dia.”

A primeira máquina nos EUA foi instalada no Cafe Zoetrope, que pertence ao cineasta e produtor de vinhos Francis Ford Coppola. Na época, o diretor disse que as histórias tinham algo que lembrava os manuscritos antigos. “Gostaria de vê-los espalhados por toda a cidade de San Francisco, para que as pessoas pudessem receber um sopro artístico gratuito enquanto esperam o ônibus, esperam a licença de casamento, esperam sua vez no restaurante", disse ele.

Isso (ainda) não aconteceu. Nurkin tem esperança que algo semelhante ocorra na Filadélfia. A biblioteca pode instalar quiosques automatizados num tribunal e no aeroporto.

Nurkin disse a respeito da ideia: “É como uma revista literária. Não sabemos o que vamos receber. Tudo é possível. Talvez você aperte um botão e receba uma história escrita pelo seu vizinho".

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