Kelsey McClellan para The New York Times
Kelsey McClellan para The New York Times

Marca de roupas inova para atrair jovens para o mundo do golfe

'Você só vê caras brancos de blazer e calças caquis nas festas de golfe', critica dono da Malbon Golf

Sheila Marikar, The New York Times

18 de julho de 2019 | 06h00

PEBBLE BEACH, CALIFÓRNIA - Enquanto os homens de mocassinos confortáveis chegavam a este paraíso dos golfistas, Stephen Malbon supervisionava o pátio da mansão em estilo colonial espanhol e acendia um gordo charuto de maconha. Cento e poucas pessoas estavam reunidas ali para comemorar a colaboração entre a sua marca de vestuário, a Malbon Golf, e a Beats, fabricante de fones de ouvido.

“Falta ainda muita gente”, disse soltando uma baforada enquanto Kanye West berrava no fundo. “Não gosto de ir na maioria das festas do golfe”, disse Malbon falando do evento, no mês passado. “Você só vê caras brancos de blazer e calças caquis. Parecem festas promovidas por algum banco com um monte de banqueiros”.

Ele se dirigia para uma espécie de putting green (pequeno campo de golfe), onde o rapper Schoolboy Q, dava uma demonstração do seu swing a Tony Finau, um esportista da Associação de Golfistas Profissionais. “Procuro jogar golfe todos os dias”, dizia Schoolboy Q (seu nome verdadeiro é Quincy Matthew Hanley). Ele começou há um ano e meio, depois que um amigo apostou US$ 10 mil que ele não conseguiria fazer um birdie (pontuando com um resultado abaixo do par) em dois anos. 

“Na terceira vez que joguei, consegui”, ele disse. “Foi o único durante quatro meses. Mas este cara”, prosseguiu, batendo no ombro de Malbon, “me colocou com um monte de golfistas, de gente ligada ao golfe”. Malbon e a sua equipe estavam na cidade para o US Open com um objetivo ambicioso em mente: tornar o golfe cool.

“Meninos que estão na moda, no hip-hop e na música, não estão no golfe”, observou Malbon. “Periga que estejam indo para o beisebol. Ou que estejam pensando no boliche - o boliche costuma ser animado”. Malbon, 43, fundou o Malbon Golf com a esposa, Erica, 29, em 2017.

Ambos tinham anteriormente empresas bem-sucedidas. Malbon cresceu em Virginia e começou a jogar golfe aos 12 anos. “Quando morava em Nova York, ficava sem graça de praticar golfe”, disse. As coisas mudaram quando ele se mudou para Los Angeles, onde sua esposa cresceu e jogava golfe em criança.

Em 2012, Malbon criou uma conta dedicada ao golfe no Instagram, “porque as pessoas de sua vida diária diziam: ‘cara, pare de postar fotos de golfe, nenhum de nós joga isto’”, contou Malbon. Virou “uma total obsessão”, disse Malbon. Ele queria deixar aquela “roupa tecnológica” popular no golfe, “colada no corpo, calças dry-fit (de tecido sintético que  não absorve a transpiração) e camisas polo dry-fit”, acrescentou.

Os logos insolentes - uma bola de golfe com rugas debaixo dos olhos, provavelmente por causa dos abusos da noitada anterior - adornam os moletons, os bonés e as camisas polo da Malbon, disponíveis online e em uma loja em Los Angeles. Neste outono, a Malbon lançará macios suéteres de lã merino produzidos com a famosa marca escocesa Lyle & Scott.

Meses atrás, este ano, a companhia se associou à Nike em uma linha de calçados de golfe decorados com grafites que rapidamente se esgotaram. E a Beats formalizou recentemente o seu apoio a Finau, 29, e Justin Thomas, 26, também um jogador da PGA. “Ele tem estilo”, observou Finai referindo-se a Malbon. “O jogo do golfe precisa destas personalidades”./ TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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